sexta-feira, 17 de abril de 2015

Just tonight
I'll let myself die
Peacefully, easily
I'm really tired and I can't sleep

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Sim, hoje eu estou com ódio. Mas não é um ódio tipo raiva, aquele ódio bobo, é ódio que queima a carne e dilacera a alma, ódio que me faz imaginar a minha morte junto com a morte de metade do planeta, só para satisfazer minha necessidade de sangue, violência, e dor. E é tão, mas tão deprimente saber que aqui é o único lugar em que posso desabafar, porque ninguém vai ler, e essa serventia não tenho sequer em meu próprio computador. Belo futuro eu construí. George Orwell teria me entrevistado para seus livros.
Estou tão, tão, tão irritada!
Tenho sede de sangue sim, e é uma sede que eu tenho controlado ultimamente, mas em alguns dias, é simplesmente tão difícil. Conforme a maturidade chega, a vontade diminui, mas a quem eu quero enganar? Isso nunca vai embora totalmente. Faz parte de mim. Posso enganar meu namorado, meus pais, meu chefe, mas eu sempre, SEMPRE vou ser autodestrutiva, sempre vou querer me machucar, de uma forma ou de outra. Sempre vou arrumar um modo de estragar as coisas, e depois, fugir. É sempre tão fácil se desapegar. Sempre tão simples mandar tudo aos ares e ir pra próxima cidade, conquistar corações e depois destroçá-los, sim, embora pareça presunçoso, eu sei, somente sei que há algo de diferente em mim, e eu uso isso a meu favor, uso isso para fazer o que quero, para ter o que quero. Depois, vem o enjoo, e toda a dor de cabeça de ter que partir, mas junto com isso, vem a excitação, a novidade, e quem não ama novidades?
E aí o medo vem e me prende, maldito medo, malditos pensamentos que me deixam presa nessa droga de lugar, nesse fim de mundo, como ninguém percebe que aqui é, de fato, o lugar onde Judas perdeu as botas? O que diabos ainda estou fazendo aqui? Eu quero vida. Quero intensidade, e acima de tudo, eu quero dor, quero muita dor. Enfim, Time to bed.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Eu tinha certeza que a dor, a culpa e o arrependimento voltariam logo. Eles nunca me deixam muito tempo sozinha.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Fuck off

 Deixemos a hipocrisia um pouco de lado: É impossível ter esperança todo o tempo. A esperança é a desculpa do fraco para nunca desistir e seguir em frente. Mas ficar nessa montanha russa de sentimentos não é fácil, tampouco. São detalhes que parecem pequenos e mesquinhos, mas mudam vidas inteiras, decidem momentos, pessoas que iremos conhecer, coisas que iremos fazer. Não quero decidir mais nada. Quero, nesse ano, que tudo acabe e que eu sobreviva. Ou parte de mim, ao menos. Não estou pedindo demais. Estou pedindo por paz, e um pouco de misericórdia, só. Não posso pensar que tudo aquilo que sonhei, tudo aquilo que conquistei, será abandonado por conta de um sentimento estúpido que não passa nunca. Estou há anos nesse inferno e nesse luto sem conseguir me soltar. Prisioneira de meus próprios sentimentos. Prisioneira de mim mesma. Ninguém irá me libertar, porque nem eu mesma sei como resolver isso.
Ou talvez eu seja só uma vadia que finja o tempo todo. Fernando Pessoa me entenderia. Ele e seu poema fingidor. Egoísmo corre por minhas veias, junto com esse sangue sujo que ninguém jamais irá tocar, para não se contaminar. Sou humana. Não espero mais nada da humanidade.

sábado, 12 de novembro de 2011

 Dor, muita dor. É como se um peso morto estivesse em cima de mim, dentro de mim.
 É pecado demais sentir falta de tudo aquilo que me representa?
 Tédio, tédio. Cada dia dentro dessa jaula é um adeus à liberdade, uma corrente em cada veia, em cada músculo do meu corpo. Tv, cigarros sem conta e um copo de Coca-Cola me fazem companhia todas as noites. Nada de noitadas, bebedeiras excessivas ou sensações prazerosas. Nada de amigos, nada de transas casuais.
É nisso que se resume o inferno?
 Quando me tornei uma pessoa tão solitária? Há quanto tempo sinto esse vazio que nada preenche? Esses sonhos malditos que não me deixam dormir uma noite inteira, essa vontade de... de... de quê? O desânimo surge antes que eu descubra, todas as vezes que eu chego perto demais do mistério. Puft, grande mistério. Digno de Sherlock Holmes.
 Eu deveria parar com o sarcasmo. Eu deveria parar de falar comigo mesma, escrever essas linhas soltas que não fazem sentido nem mesmo para mim, que as escrevo por não ter o que fazer. Deveria estudar. Terminar de ler aquele livro, parado na estante há quase um mês. Deveria ir no bar, no próximo domingo, e beijar o primeiro ou a primeira que se interessasse por mim. Começar meu curso de inglês. Arrumar um emprego. Sair de casa. Tanta coisa a fazer... Mas tudo o que quero é mais um cigarro, e talvez mais cafeína, meio impossível de conseguir a essa hora da noite.
Talvez eu vá ouvir Miles Davis. E parar de escrever.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Culpa

- Eu ainda não entendo porque você continua escrevendo nesse caderno estúpido.
   Carolina olhou para cima e visualizou sua amiga Marieta, olhando-a de um jeito desaprovador.
 - Eu não esperava que você entendesse.
 - Mas é sério, Carol. – Ela sentou-se na cadeira defronte. – Por que você ainda está escrevendo? O que você está escrevendo, aliás? E não me venha dizer que é para a aula; Não tivemos nenhum dever hoje.
 - Sei que não, e não pretendia dizer isso.
- E o que ia dizer então?
 - Eu... – Sentiu-se confusa. Deveria mentir? Parecia errado, mas ao mesmo tempo a única alternativa. – Deixa pra lá.
- Nem pensar!
 - Rápida como um gatilho, Marieta puxou o caderno e leu um monte de palavras soltas, abobalhada. Depois riu.
- Você precisa reaprender a formar frases.
- Obrigada. – Carolina puxou o caderno meio rabugenta, e o fechou. Fazia meses que não conseguia escrever mais do que essas palavras soltas, mas por não ter nada a escrever. Rabiscava todas as folhas que atravessavam seu caminho, mas não saia nada compreensível.
- Então, você vai ficar presa nesse quarto escuro a tarde toda ou vamos à praia?
- Hum... Na verdade, eu precisava ir a outro lugar hoje. Pode ser amanhã?
 Marieta a olhou um instante, balançou a cabeça positivamente, e após mais um olhar triste para a amiga, saiu do quarto. Carolina olhou a porta com remorso por um instante, depois levantou-se num pulo, foi ao armário e trocou de roupa. Colocou um tênis e saiu também.
 Não tinha intenção de ir a lugar nenhum, só não queria estar com ninguém. Mas, ultimamente vagava sozinha por tanto tempo que seus pés a levavam automaticamente a seus lugares favoritos, e algumas quadras depois ela parou em um parquinho depredado pelos garotos do bairro. Sentou-se no único balanço que ainda não estava quebrado, fechou os olhos por um instante e sentiu sua pele absorver o calor do sol. Poucos minutos depois, alguém entrou em sua frente e, pensando que Marieta a havia seguido, abriu os olhos meio irritada.
  Deparou com um homem alto, mas seu rosto estava escuro por causa do sol, e ela o olhou questionadora. Ele se abaixou, e ela pode olhar seu rosto.
  Era magro, absurdamente magro, olhinhos pequenos como fendas e sua boca era apenas um fino traço. Seu nariz era adunco, e sua pele era macilenta, como se não visse sol há muito tempo. Ele sorriu, mas foi um esgar assustador, e ela logo pôs-se de pé, analisando o melhor jeito de ficar o mais longe possível. Acenou levemente com a cabeça e começou a andar, mas o estranho, ainda abaixado, agarrou seu tornozelo.
- Ei! Não sei quem você é, amigo, mas também não faço questão de saber. – Virou e tentou dar outro passo, mas ele continuava segurando-a, e ela percebeu que os dois estavam sozinhos. Ficou mais amedrontada, e tentou fingir que estava com raiva. – Se importa? Eu estou tentando andar.
 Ele a soltou e se levantou, e ela ergueu a cabeça, o rosto rubro. Ele era vários centímetros mais alto do que ela, e agora que ele não estava mais contra o sol, percebeu que seus olhos eram de um azul muito elétrico.
- Lamento, querida, mas não posso deixá-la ir. Você é uma assassina. Agora, deve morrer também.
 Se antes estava amedrontada, agora ela estava apavorada. Como aquele estranho podia saber? Ele sequer parecia ser dali.
- Lamento, querido – Ela deu ênfase à palavra querido. – Mas você deve ter se confundido. Não sou assassina coisa nenhuma.
- Então, aquele túmulo no cemitério não é do seu irmão?
- Como você sabe quem é meu irmão?
- Apenas sei. – Ele deu um passo para frente, e ela recuou. – Sei que não foi sua culpa, sei que não quis, mas aconteceu. Você não tinha nenhum direito de tirar a vida dele. Eu honestamente lamento. Você viveria muito sabe. Teria três filhos. Mudaria de país. Seria uma grande médica.
 Carolina riu, embora não houvesse a menor graça na situação.
- Mais uma prova de que você está enganado, senhor. Nunca quis ser médica.
- Não queria, até ver o médico que tentou salvar a vida do seu irmão. Ficou sensibilizada com o trabalho dele. E ele quase conseguiu, não é? Se ele ainda estivesse de plantão aquela noite, poderia ter evitado aquela parada respiratória.
- Quem é você? O que quer?
- Eu já disse. Vim vingar seu irmão. Você não vai matar mais ninguém.
- Você não sabe de nada! Ele era um viciado! Tentou me matar quando eu não lhe dei dinheiro para mais uma picada! Eu só me defendi! E como sabe de tudo isso? Você é policial? É medico? Anda me vigiando?
- Um pouco dos três, creio. Mas isso não vem ao caso. Como já disse, sei que não foi sua intenção. Mas isso não diminui sua culpa.
- Olhe, - Carolina se sentiu cansada. Reviver aquilo doía, e muito. – como acha que me sinto por ter atirado nele? Era meu irmão, meu sangue! Não fiz nada a sangue frio!
 Ela gritava, e olhava suplicante por perdão, como se o homem pudesse salvá-la do horror que tinha dentro de si mesma.
- Você tinha escolha. – Sua voz, tão calma antes, emanava frieza agora, e certa raiva. Carolina encolheu-se ligeiramente. – Ele tinha mudado de opinião meio segundo antes de você retirar a arma dele. Quando percebeu o que estava fazendo, decidiu mudar, decidiu parar. Você não tinha o direito de tirar isso dele.
- Mudou de opinião, foi? E como é que você sabe?
- Chega de conversa. Não tenho tempo a perder.
O ataque foi rápido e preciso: Ela não viu o que a atingiu. Não viu, mas sentiu. Olhava diretamente nos olhos de seu misterioso assassino, mas ao olhar para baixo, viu sangue manchando sua camisa branca de botões, a faca ainda cravada em seu peito, quase como se fizesse parte de seu corpo. Automaticamente, colocou a mão sobre ela, e voltou a olhar o homem. Alto e atarracado, um sorriso ameaçava curvar sua fina boca novamente, e, de repente, ela se sentiu suja diante dele. O torpor começava lentamente a invadi-la, bem como pensamentos bizarros e fora do contexto apareciam em sua mente. Ia morrer, sabia que sim. Mas, ao contrário do esperado, sua ligeira vida não passava diante dos seus olhos. Tudo o que vivera e o que fizera levara-a até ali, e era só no momento em que pensava. Queria gritar para que ele acabasse logo com isso, mas ele parecia divertir-se, e ela num impulso estúpido, ficou calada, observando o momento, absorvendo cada detalhe da cena. Cada detalhe daquele rosto, daquele sorriso.
- Agora, minha querida, você será perdoada.
  Não tinha forças para ficar em pé, mas não conseguia deitar-se ou sequer ajoelhar-se, tampouco. A morte era realmente bela, de um modo triste. Não era obscuro, e de repente ela sentiu apenas vazio. Sorriu também, como um pedido de desculpas ao homem por sua força, e fechou os olhos sentindo a dor sumir e seu corpo ficar pesado, pesado demais.
 O homem virou-se, retomou seu caminho a passos vacilantes, e quando o coração de Carolina deu sua última batida, ele já estava longe dali.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Kiss the ring

Mate a menina, comece o feito
E queimar este quarto inteirinho na bunda é claro que...
É difícil ficar limpo?
E se você e todos tivessem que começar acreditar
No que mais você acreditaria?
Na sua vontade ou como uma equipe que foi ao culto de suicídio?
E se você e todos quiserem seguir-me
É difícil me parar?
Estava indo ao tamanho super esta coisa agora.
E ele está mantendo suas coisas e se você tivesse todos pararem de acreditar
No que mais você acredita?
Isto é viver grande
O que fez você dormir? Ela está dormindo agora
Eu estou apenas rindo, pegue uma cadeira e assista matarem um ao outro
Não importa o seu pior significado ok?
Você tem que beijar o anel.
Agora os mundos, indo imperfeitos, não há volta seca em todo lugar maldito
Será que é difícil, ficar limpo?
E se você e todos tiverem que começar acreditar
No que mais você acreditaria?
Quando o mundo, é ter sexo, há uma caçada no meio do dia
É difícil, parar o sangramento?
Oh sim, todos nós temos maldição agora.
Ha, ha!
Se você ver estrelas
E se você e todos tiverem que acreditar
No que mais você acreditaria?
É melhor trazê-la de volta não vire as costas, grite, cante!
Não importa se as palavras não significam nada.
ENTRE.
Você tem que beijar o anel.
Uh... Uh... Uh...
Você tem que beijar o anel.
Bang, bang, eles trazem uma rodada de armas
Bang, bang, vou matar todos
Ha ha, ele está chutando sua bunda
Bam bam bam, ele está chutando sua bunda
E se você e todos tivessem que acreditar
No que mais você acreditaria?
Ele vai se envolver em torno, foram todos acreditando, gritando, cantando!
Só tenho que trazê-la de volta. É o calor frio do verão do suicídio
Se as palavras não significam uma coisa
Isto os fará desejar vermelho abaixo do joelho.
(Meu Romance Químico)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Cores

Preto retém, branco reflete. E o cinza? O cinza é monótono, uma mistura que resulta indiferença. Nada de vida ou morte, nada de amor ou ódio, nada de extremos ou de opostos. O cinza representa o nada, o vazio, o tédio. Não inspira, só me deixa aqui parada, com essa chuva incessante como companhia, além de uma garrafa de heineken e um maço de cigarros. Quanta sutileza.
Não é que eu não sinta mais nada: é que já estou tão cortada, que simplesmente não há mais espaço para novos cortes, e por isso eles simplesmente atravessam meu corpo sem conseguir lugar para ficar. Nem fila há mais. Por isso estou tão cinza. Até a dor cansou-se de mim, e foi procurar outro lugar para habitar. E não há espaço para o amor, tampouco. O amor já foi, é passado, é só uma lembrança ruim.
Mas a questão é: quantos outros sentimentos vão virar passado até esse cinza desaparecer de dentro de mim?

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Um pedido de ajuda

Este é o fim. Para mim, já chega. Chega de solidão, chega de ficar em um lugar onde não me querem. Eu quero meus amigos. Quero encher a cara e ficar no hospital a madrugada tda tomando glicose. Quero meu emprego. Meus cursos. Sair com qualquer cara, com qualquer garota, quero me sentir viva de novo. Estou tão morta. É de enlouquecer.  Eu não sou bem-vinda aqui mesmo, sou uma aberração no meio de um mundo normal e hipócrita, por  que não me deixam voltar? Por que não posso fazer só o que quero? É tão simples. Não estou pedindo nada demais. Não é como se eu quisesse sequestrar algum milionario para ficar rica. Além do mais, eu gosto de coisas simples, como chegar em casa exausta depois de oito horas de trabalho mais cinco de escola, deitar na minha cama depois de um banho bem quente, e apagar até o dia seguinte, e sonhar com o fim de semana. Mas aqui.. aqui todos os dias são iguais, monotamente e insuportavelmente iguais.
Então, caro carrasco, quando vai me tirar desse inferno, e me mandar de volta para o antigo? 
A dor, a dor vai me abandonar e me deixar com o vazio, de novo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

The death of me


Não tenho mais nada de bom a dizer
Preciso de um uísque pra começar a aquecer minhas objeções
As pessoas amam beber pra esquecer seus problemas
As vezes sinto que eu me sentiria melhor desse jeito

Porque talvez assim eu conseguiria dormir à noite
Eu não deitaria e ficaria acordado até amanhecer
Isso é algo que nunca vou controlar
Meus nervos serão minha morte, eu sei

Estou aqui vivendo a vida miseravelmente
Estou aqui por todas as estórias encantadoras que contei
Talvez, bebendo vinho eu valide minha aflição
Todo homem precisa de uma musa e a minha poderia ser a garrafa

Porque talvez assim eu conseguiria dormir à noite
Eu não deitaria e ficaria acordado até amanhecer
Isso é algo que nunca vou controlar
Meus nervos serão minha morte, eu sei

Finalmente eu poderia esperar por um dia melhor
Não mais sustentando todas as coisas que enebriam minha mente
Talvez, então, o peso do mundo não pareceria tão pesado
Mas depois, de novo, provavelmente sempre me sentirei assim

Pelo menos eu sei que nunca conseguiria dormir à noite
Sempre vou deitar e ficar acordado até amanhecer
Isso é algo que nunca vou controlar
Meus nervos serão minha morte, eu sei
(City and Colour)