segunda-feira, 18 de julho de 2011

 Tenho uma sensação tão estranha quando olho o mar: Lembranças de um passado mais triste, porém, excepcionalmente mais feliz do que agora misturam-se ao desgosto, ao desapontamento e à amargura ao ver minha nova realidade. Quebrada, sem vida, fui banida da terra dos vivos, mas, não estando morta, não posso ficar na terra dos mortos, tampouco. A que lugar pertenço, então? 
 Se não fosse tão descrente de tudo, diria que é o destino que me leva sempre ao vazio. Seria mais nobre do que culpar alguma criatura divina, isto você tem que admitir. Tenho agora por companhia apenas pensamentos e sonhos que me torturam, vontades e desejos que não posso realizar, e a dor, a dor que deveria estar me acompanhando a todo momento e a todo lugar, há tempos me abandonou. Estou me sentindo tão sozinha, tão isolada. De que adianta fingir? Nada tenho a oferecer, nem para mim nem para ninguém. O copo não está meio cheio, como dizem os otimistas. Não há paz no meio da escuridão.
 Mas tudo isso é tão estúpido! Posso lutar contra a maré, mas sei que já estou me afogando, e aqui, não há viv'alma para me ajudar. E, mesmo que tivesse, alguém viria em meu socorro? Eu mesma não me ajudaria. Então, caro carrasco, deixe-me parar de respirar aos poucos em agonia, deixe-me ficar no meu pedaço de eternidade.
Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte.

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