quinta-feira, 28 de abril de 2011

   Não posso me desculpar. Estou apenas com um coração adoecido, uma mente enlouquecida e uma alma podre.  Isso não significa que eu seja culpada. Podem me culpar por tal insanidade, mas não por meus erros. Gostaria tanto de ser como vocês... Mas eu me enganaria o tempo todo, e só o que vocês sabem fazer é mentir.  Quem será o carrasco que me condenará por fugir de mentiras? Não posso fugir do que sinto, estes pensamentos suicidas estão entranhados em mim, solitários, vingativos, esperando o momento certo de agir. Sou uma fera ferida. Não posso simplesmente me ignorar, mas também não posso ignorar vocês, então, o que querem que eu faça? Já estou desistindo de tudo, estou desistindo da minha vida! 
 Qual será a próxima crueldade? Não podem mais me atingir. Já cheguei ao ápice dessa dor, que dilacera tudo por onde passa. Cérebro, nervos, coração... De que vale tudo isso? Qual será o fim de toda essa batalha épica que travamos há tantos anos? 
  Luto contra vocês ou contra mim? Corro de vocês ou corro de mim?
  Ah, doce ilusão da inocência. Volte, e me traga a felicidade outra vez.

domingo, 24 de abril de 2011

Quando você se torna uma vagabunda, dessas que roubam os namorados das "boas meninas", quando começa a transar com o primeiro que aparece, por puro prazer, descobre como é bom. E não quer mais parar.

domingo, 17 de abril de 2011

Sr. H.Potter
O Armário sob a Escada
Rua dos Alfeneiros 4
Little Whinging
Surrey.

sábado, 16 de abril de 2011

Secret door

Você nunca sabe o que faz! Tem noção de como isso é estúpido? Fica só falando bobagens, um ator tão natural que chega a enojar. Acha que está tudo bem se só contar a verdade, tudo o que sempre lhe pedi, mas eu queria a verdade por completo, não uma verdade atuada. Porque você sabe, meu caro, que meias verdades são mentiras inteiras, e não estou aqui para ter isso. Estou aqui para acabar com você, para acabar comigo. Você se acha tão incrível, mas na verdade, é só um estúpido. Acredita mesmo que a sua realidade é assim tão diferente da minha? O cigarro é a única coisa que nos diferencia. Pode ser superior o quanto quiser, mas está em decadência, como eu. Pior, está em decadência sob influência, não consegue nem ser você mesmo, quando mais precisa. Não se iluda, eu não vou mais mentir para mim, eu sei o que sinto, e não vou esconder. Nunca escondi. E ódio não vai me alimentar, assim como amor não me alimentou. Eu quero paixão. Intensidade. Loucuras. Nada de tédio nos sábados, eu quero diversão. Dançar até me acabar. Ouvir todas as músicas que gosto como se fosse a primeira vez. Transar como se fosse a primeira vez. Mas eu sei o que faço. 
  Não se esconda mais, caro perdedor. Não sou sua carrasca. Não sou sua amiga. Sou sua insanidade.
  Bem debaixo de seus nervos.
  Quem vai se arrepender agora?

Despedida

 Tenho estado tão fraca, que mal suporto meu peso. Mal suporto minha mente. Está tudo perturbado, atormentado, sangrando, sem parar, como posso aguentar?
 Então eu te sinto, do meu lado, embora eu tenha tomado todas as decisões erradas, todos os caminhos que me deixavam longe de você. Divide um cigarro comigo. Sorri aquele sorriso abençoado que nem mesmo os deuses conseguiriam imitar. Mas tem sido tão difícil entender que vou perder esse momentos, que vou perder você. Me abandono abandonando você, me deixo nua na esperança de que enxerguem que eu quero ficar aqui, do seu lado, ouvindo suas bobagens, brincando com o perigo, com você. Simplesmente me deixar levar. Ou levar você.
  Desculpe se minhas palavras vieram tarde demais, mas eu não poderia fazer diferente. Precisava desse tempo, pra entender o quanto eu te amo, o quanto amo sua loucura. O quanto eu preciso de você. É sim, uma necessidade incondicional, da qual não me envergonho de admitir. Quantas vezes você me tirou do fundo do poço? Quantas vezes me colocou acima de você, para que eu não me afogasse nessas águas sujas? 
 Ah, minha querida. Eu morreria por você. Eu me mataria por você. Obrigada por devolver meu mundo. Obrigada por deixar-me fazer parte do seu.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Eu cansei das falsas intenções

Então é sobre tudo isso que se resume? Você é apenas uma garota mimada, que está perdendo tudo. Better, jogando tudo fora. E você sabe por quê? Porque não sabe brincar com a comida, antes de comer. Não sabe blefar. Está se arriscando num jogo de poder em que sabe que vai perder, e mesmo assim joga. Não é auto-destruição, aquela coisa bela de morrer e blá blá blá, isso é estupidez. Só porque transformei no caos suas doces ilusões, não significa que eu não vá lhe dar novas mentiras, que eu não vá lhe enganar novamente. Porque acredite, na primeira oportunidade, eu vou. Matarei todos os seus sonhos, te deixarei tão vazia quanto um morto, te farei ver o valor do cérebro, de nervos e de coração pulsante, esse coração que você tanto maltrata, que tanto esmaga sem ele nada lhe ter feito. Eu vou te destruir, para que você possa se reconstruir de novo, e do jeito certo, dessa vez. E é melhor você mudar, minha cara, antes que fique sozinha. Não, não direi "antes que fique como eu", porque eu ainda tenho chances, ninguém precisará me matar. Eu consegui entender, sozinha. 
 E céus, eu te dei tudo o que pude, te dei todas as minhas lágrimas, depois todos os meus amigos, e então todo o sentimento que eu tinha, toda a diversão, todo o alcoolismo e toda a insanidade, e por que nunca foi suficiente? O que eu terei que te dar agora? O resto de minha vida? Só me diga, conte quais são suas intenções, e entraremos num acordo. Eu cederei. Te darei o que quiser. Irei para o purgatório por você, se precisar. Mas não me deixe em sombras. Não fique em sombras, porque eu preciso te enxergar. Preciso sentir sua força vital, preciso ver que você ainda está viva, e tentando. Não pare nunca. Porque, quando você parar, eu te matarei.

domingo, 3 de abril de 2011

Das citações

Ainda que dentro de mim as águas apodreçam e se encham de lama e ventos ocasionais depositem peixes mortos pelas margens e todos os avisos se façam presentes nas asas das borboletas e nas folhas dos plátanos que devem estar perdendo folhas lá bem ao sul e ainda que você me sacuda e diga que me ama e que precisa de mim: ainda assim não sentirei o cheiro podre das águas e meus pés não se sujarão na lama e meus olhos não verão as carcaças entreabertas em vermes nas margens, ainda assim eu matarei as borboletas e cuspirei nas folhas amareladas dos plátanos e afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem me comove e que sua precisão de mim não passa de fome e que você me devoraria como eu devoraria você ah se ousássemos.
Caio Fernando Abreu.

sábado, 2 de abril de 2011

    Um cigarro, depois outro, e outro. São tantos que já perdi a conta. A cabeça dói, o pulmão implora pra parar, e eu continuo matando tudo aqui dentro, porque não vale a pena salvar nada. Não tenho mais sentimentos. Não sinto mais nada. Nem mesmo dor. Por que continuar, então?
    A fome de viver anda tão grande que acho que nunca mais vou saciá-la. Todas as minhas escolhas me levaram à esse caminho, então não posso reclamar. Sequer me arrepender. Só o que posso fazer é sentir essa tontura gostosa que a nicotina me proporciona a cada tragada, a cada minuto mais próximo da minha morte, do meu inferno ou do meu paraíso. Quem sabe? Certamente, não eu, escritora de tantas histórias malditas, de tantos sentimentos falsos e de tantas visões mal-escolhidas. Posso me desconectar de tudo, mas o que eu vejo vai estar sempre na memória, esperando o momento de me atormentar, de me fazer escrever. Mas estou tão cansada de escrever. Tudo o que eu queria era me livrar desse vício, meu maior vício, pra poder ser normal. Fazer uma faculdade. Encontrar meu futuro marido em um dos corredores. Terminar meu curso. Casar. Ter uma casa cheia de plantas. Ter um filho aos 28. Mas eu nunca vou ter isso, porque a minha vida é escrever a vida dos outros. Quando, onde, isso teve algum sentido? Me sinto completa narrando, mas me sinto incompleta por não ser contada. Se é isso que chamam de destino, é uma merda. Destinos não deveriam existir. Destinos deveriam ser desculpas idiotas, ou cristãs, para simplesmente deixar tudo de lado, "deixar as coisas acontecerem". E sempre "acontece", porque eu nunca consigo mudar. Nunca consigo fazer minhas próprias escolhas, decidir o próximo passo. Estou sempre no escuro. Sempre fingindo que não estou me importando, mas tudo me atinge tão intensamente que não consigo suportar. Eu poderia mudar de planeta, e a droga desse tal destino me perseguiria. Provavelmente ele mesmo me mandaria para Marte,Vênus, Saturno. E eu continuaria escrevendo sobre os outros, e nunca sobre mim. E eu sempre me pergunto, as pessoas são fracas demais para escrever sobre si mesmas que precisam de mim, ou eu sou fraca demais para escrever minha própria história? Vivo o tempo todo de ficção, as pessoas são meus fantoches, meus personagens. Crio-as a partir de pensamentos insanos, me envolvo, abandono, parto pro próximo.
Mas, afinal, qual é a minha história?