terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sem sentido

[...]
Tudo o que cativei
Todo o meu fascínio por destruição
Todas as tentativas infrutíferas de ser feliz
Tudo se foi... Assim como todos os sentidos

O que não entendo é como pude abandonar a morte
Minha e tão minha amada morte
Por algo tão vazio, algo como a vida.

Pois você me acha patética
Pois me abro inteiramente com você
Mas não acharia se esse poema
Você parasse pra ler

Faça-se de superior, ganhe-me com seus argumentos
Sempre adorou me fazer de babaca
Ganhe esse debate, termine com seus tormentos.

Mas a verdade
É que lá no fundo... Você é tão sujo quanto eu

sábado, 27 de novembro de 2010

Um último suspiro

Saudades de quando eu não era nada, de quando o dia ainda me importava, de quando eu tinha coragem. Saudade de quando covardia era sinônimo de piada, de quando tudo era verdade, mesmo na ficção. Saudade dos sonhos realizáveis. Saudade de saber o que fazer. Saudade de ser importante, mas não ser destaque. Saudade do amor simples. Saudade de não ter essa vontade compulsiva de escrever. Saudade de ser mais honesta. Saudade as crônicas, e não dos romances. Saudade de ver o Jabor na TV. Saudade de ficar a tarde toda lendo Luís Fernando Veríssimo. Saudade de achar que um dia eu teria o talento deles. Saudade de não sentir pena de mim. Saudade de mim mesma. 
Em que esquina perdi o pouco de humanidade que ainda me restava?
Acho que você é o fim de tudo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Can you feel my love buzz?

Muito, muito fácil ficar sozinha. Esconder-me? Brincadeira de criança. Formidável ver como essa cena piora pouco a pouco e faz com que eu perca. Tudo de novo. Por que não coisas diferentes, por que ficar martelando na mesma pulsação de dor?
É um alívio saber que posso seguir em frente, mas desesperador não saber se vou conseguir. Causticante não saber se quero seguir. Fiquei vendada por tanto tempo, que a luz não me reconhece mais. Sou uma total estranha de novo, uma deficiente tentando me habituar com a nova situação.
Disseram-me, então, que parecia que eu havia saído de um enterro. Devia eu ter matado a dor em mim? O enterro era meu? Minhas ações, meu corpo demonstram isso. Eu estou em paz. Mas isso não é real, e logo vai passar. A dor, a dor sim era verdadeira, e esteve comigo por todo esse tempo. Por que abandonar minha única e mais fiel amiga agora?
Sentidos aguçados demais, olhos abertos demais, coração parado demais. Você pode sentir meu amor zumbir?

domingo, 21 de novembro de 2010

Estou aqui, diante de uma folha de papel, com tantas idéias que não sei como descarregar. Sem saber como dizer a verdade, como ouvi-la. Amar e destruir são verbos tão semelhantes que eu poderia dizer que são a mesma coisa. Ou, então, uma sucessão de acontecimentos. E também, ambos dizem a mesma coisa: nada. É sempre vazio, sempre supérfluo, sempre egoísta. Disseram-me que sou uma folha em branco, mas talvez eu prefira assim, talvez eu queira que cada um escreva a sua história, e não conheça a minha. Talvez eu não tenha uma história. Sou formada de esperança, e sobre isso... sobre isso não há o que dizer. São só incertezas, todo o tempo, e isso muda. Ou talvez eu seja igual à todo mundo, e vejo que ninguém nunca tem nada a dizer. São todos folhas em branco, esperando por outras histórias, sem conseguir. E seria tão mais simples se simplesmente  soubessem ver a verdade, se quisessem ver a verdade. E novamente, sou como todo mundo, e me deixo levar por palavras vazias, no calor da emoção. E tomo doses e mais doses de nada, me preencho de vazio, e acho que está tudo bem ficar assim. E as coisas vão continuar assim, porque sou fraca demais para ficar presa nisso, mas fraca demais para seguir em frente. Desejo não é o mesmo que necessidade, amor não é o mesmo que mentira e você... você não é quem eu pensava ser.
Idéias, idéias. Quantas delas serão necessárias para escrever alguma coisa decente?

sábado, 20 de novembro de 2010

Protect me from what I want

Às vezes eu queria não gostar tanto de sentir dor. E tudo porque sou fraca, eu não aguento muito tempo, e sempre perco meus próprios jogos, sempre me perco dentro da minha mente. E não importa o quanto eu caia, eu sempre vou querer cair mais. 
Quando o vício vira doença?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Voltando para o lado errado da força

Esta noite eu sou meu próprio Deus, e vou cuidar de mim. Esta noite vou sair, me distrair, esquecer. Com um copo numa mão e um cigarro meio apagado na outra, vou brincar de morrer, vou me satisfazer sozinha, vou ser meu próprio prazer, só cérebro e nervos, nada de coração. Músculos trabalhando juntos, harmonia perfeita, respiração ofegante, sem parar, sem parar.
Nada de violências contra o meu corpo, não hoje; Estou liberta da minha bolha particular, estou vendo tudo claramente.
É estranho, sentir essa cegueira desanuviar; ou então, sentir-se tanto tempo isolada, ficar tanto tempo isolada, que agora, são tantas coisas pra ver, tantas novidades. Mas todas supérfluas. Só uma interessa, assim como só uma pessoa interessa, no mundo todo, no universo inteiro, na minha vida. É tão egoísta que fica até engraçado.
Veja bem, é muito tempo de desligamento. Não se pode recomeçar de onde parou, é impossível.
E um novo futuro, poderia ser feito?
ESPERANÇA ESTÚPIDA! ME DEIXE AQUI SOZINHA, ME DEIXA SOZINHA COM O MEU PRAZER, EU SOU MEU DEUS, EU FAÇO COMO QUERO, NÃO PRECISO DE NINGUÉM.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Take me out

Existem dias em que tudo te machuca: falar com a melhor amiga, ouvir as novidades, sair, beber uma cerveja no bar, ver casais apaixonados, ver tv. São aqueles dias em que a agonia toma conta de tal modo que, pra fugir disso, você corta cada pedaço escondido do seu corpo, pra ver se sente alguma dor diferente.
A resposta? Não, você não sente. Aliás, quando a dor dentro de você atinge esse nível, você não sente mais nada. O fogo é mais forte do que tudo, e você sente tudo queimando, o tempo inteiro, até a agonia passar e você continuar sua pobre vida normal. Mas eu estou tão cansada de vida normal, que honestamente, prefiro essa dor insuportável o tempo todo. Ela é tão, tão real, que eu me sinto viva, me sinto... nem eu sei. Eu estou aqui parada há tanto tempo, que qualquer coisa intensa é bem-vinda. As coisas que vejo são tão ilusórias, eu sou tão paranóica o tempo todo, que nem mesmo sei se você é real, se eu sou real. Papo filosófico, esse. Nada de filosofia também, estou cansada demais pra ter uma conversa normal.
Quando eu vou voltar a me sentir de verdade? Quando a cegueira dos meus olhos irá desanuviar, quando eu vou deixar de viver numa doce mentira?
Acho que nunca. Cada célula minha é formada por mentiras. Então, não acredito que isso vá mudar.

domingo, 14 de novembro de 2010

Vazio

O amor é tão cômodo! Muito mais fácil não esquecer o velho, o que não volta mais, do que aventurar-se em algo desconhecido. Facílimo congelar o tempo, ficar no mesmo ponto parada até a morte, porque você sabe exatamente o que vai acontecer. Um pouco de dor, certo masoquismo às vezes, um sexo barato num fim de semana estressante. Depois, bye bye, até outra esquina.
Nada surpreendente, não?
E, aqui, eu falo de todos, e todos fazem exatamente isso. Porque para o prazer e o amor, você sacrifica a tristeza, mas é perigoso demais, a felicidade é um monstro de muitas cabeças, que vai te dar o bote na primeira oportunidade. Não dá pra confiar, não é mesmo?
É incrível como alguém pode romper seu coração, no entanto, segue amando-o com cada um dos pedaços (que não são poucos). Não importa que você negue diante todos, sentir dor é sim mais fácil, é mais covarde sim, do que seguir em frente. E é exatamente isso que você, que eu faço. Ignoramos a verdade por completo, ficamos presos em nossa bolha particular, e não nos importamos com o que está lá fora, simplesmente porque não há nada la fora. Nada para anjos caídos, nada para a decadência. Estamos todos com as asas quebradas, consegue ver isso? Estamos todos mortos em vida, todos sem nada para dizer.
Esse texto é sobre nada, minha vida é sobre nada. Você é um nada.

sábado, 13 de novembro de 2010

Cogitação

Se eu morrer agora, se eu presentear-me com ela, a dor continuará, ou eu poderei enfim ter paz?
Ficar sem você dói mais do que mil queimaduras pelo corpo.

domingo, 7 de novembro de 2010

Anarquia

Hoje vou escrever um texto diferente, fora do padrão. Nada de suicídio, loucura, dor. Sem ficção, chega de falar das outras pessoas, hoje vou falar de mim. Ainda estou pensando se vou publicar isso, provavelmente não. Não estou afim. Aliás, não estou afim de fazer nada além de deitar na minha cama, e dormir até segunda-feira, quando a rotina insuportável começa de novo. Até quando vou ter que fazer o que é necessário, não o que desejo? Quando os meus sonhos serão prioridade? Eu vejo todos esses adolescentes presos numa fila, um seguindo o outro, nada de originalidade, nada que as faça respirar, viver, pulsar. Quando a sociedade voltará à sentir alguma coisa verdadeira? E ainda me perguntam porque escrevo ficção! Como se o mundo não vivesse numa ficção eterna, esperando que o que acontece nos filmes, nas novelas, se torne real. SEJA real, não espere nada cair do céu, vá atrás de seus sonhos. Nada do que acontece nas telas, nos livros, vai acontecer de verdade. Acho podre toda esse egoísmo, em que silicone vale mais do que cérebro. Ou pior, quando nada mais vale. Obrigada, caros cidadãos do mundo, por matarem por uma pedra, por uma moeda sequer. Obrigada, por matarem o planeta com seu capitalismo maldito, por esquecerem o que é a vida de verdade, por deixarem o pior para a minha geração, e para a próxima. Que tudo vá para o inferno, que todos vão para o inferno, sem hipocrisia, que venha alguma coisa real agora. Que o sentimento seja real, ao menos. Chega de corações de plástico, de vidas artificiais. Eu quero sentir sangue pulsar sob minhas veias, quero ver olhos brilharem, quero sentir a emoção emanar aos montes. Quando é que todos esses meus sonhos vão sair da lista de espera? Não quero ser só mais uma na multidão, e, quando chegar ao fim, não quero me arrepender de tudo o que fiz, e do que não fiz. Eu NÃO vou me arrepender.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Faça seu coração parar e esqueça de todo o inferno. Estupidamente falso, busque motivos para sentir dor. Sinta o prazer ao corta-se por inteiro, sorria, sorria, sorria.
Dor... Qual o sentido de tudo isso? Tanta intensidade na droga desse sentimento, tão estúpido sequer pensar que isso não vai ter um fim violento. Qual é a sensação de ser feliz? Não alegre, mas feliz, em paz. Que inferno todo é esse? Ora, faça-me o favor, quem sente-se assim de verdade? Quanta hipocrisia! Quem disse que um erro, um único maldito erro, pode condenar e acabar com uma vida? Ou melhor, e se não houver erro nenhum, apenas uma imaginação criativa? Kafka se orgulharia de tal fato, com toda a certeza. E ainda conseguiria fazer um belo final épico para toda essa trama. Com direito a muita agonia, confusão e ódio. Ou revolta. Ou ambos. Tanto faz, como o assunto foi se estender tanto?
Vai ver eu fui amaldiçoada, esquecida dentro do meu inferno particular. Ou talvez eu tenha sido abençoada, mas recusado, tornando-me assim uma excluída, um nada na sociedade. Sem escrúpulos, me entrego a todos esses desejos insanos, esquecendo de mim mesma no processo e mergulhando nesses sonhos perturbados que me fazem delirar, e nessa febre imensa de culpa e rancor eu caio, caio, caio...

domingo, 31 de outubro de 2010

Condenada por um erro.
Toda a eternidade.
Quando todo esse sangramento começa?
Toda essa sujeira jogada aos olhos
Sem proteção, sem um caminho para voltar
Algo que faça tudo valer à pena...
Inferno, todo esse fogo me atingiu
Toda essa mágoa me perfura, eu não quero mais sentir, eu não quero mais sentir
Tão estúpido, um único tiro resolveria isso
Mas a covardia me impede até de ser covarde
Essa barreira de dor me impede de ver o mundo
Há quanto tempo, já nem sei mais
Perdia a noção das horas, dos dias
Quanto disso é possível suportar?
Coração partido, tão clichê e real
Dois pólos opostos querendo ocupar o mesmo lugar,
duas meias-verdades, duas mentiras, duas partes de um coração dividido em milhões de pedaços.
Droga de sentimentos confusos,
droga de cabeça que não sabe o que quer
Inferno! O que diabos eu quero?
O que diabos eu sou?

sábado, 30 de outubro de 2010

Quão masoquista uma pessoa pode ser? Quanta dor, por quanto tempo ela é capaz de procurar, e suportar dor?
Dúvidas, dúvidas. E eu penso, novamente, nada que um pouco de sangue não resolva. Impossível não acreditar que exista um pouco de inferno dentro do céu. Impossível não sentir cada marca, cada maldita lembrança.
Tão difícil resistir a esse pequeno sacrifício... Quantos erros divertidos, sedutores, excitantes.
Tão... doloroso.
É hora de recuar? Hora de seguir em frente, como uma bela covarde, e deixar o passado inacabado para trás?
É hora de fingir?
Sentimentalismo estúpido. Um dia, não sentirei absolutamente mais nada.
...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Monocromia violentada

Um pouco de sangue, um pedaço de vidro, uma alma destruída.
Risos, risos, risos.
Finalmente liberta, nada de sonhos vazios ou falsas esperanças.
Enfim, a verdade.
Ela olhou-se no espelho. O que viu, foi só vazio.
Mas tanto vazio assim?
Quem ela estava enganando? O que tinha era só um corpo dentro de um mundo maldito! Oh, é realmente muito caridoso mentir para uma pobre garota, ver em seus olhos ela realmente acreditar. Ensiná-la a contar suas próprias mentiras,como um livro que deve ser lido página por página, bem devagar.
(Eu não vou parar de morrer. Não vou parar de mentir. E se você quiser, continuarei chorando. É pra isso que você sempre me quer?)
E agora, essa morte sozinha. Vazia. Exatamente como ela queria.
Já não sentia mais dor, nem paz, nem nada. Absolutamente nada.
Nada, nada, nada.
(Eu quero ver como são as suas entranhas, aposto como você não é bonita por dentro. Eu quero salvar seu coração, e quero ver como suas entranhas podem ser.)
E ela se destruiu e se reconstruiu, e todas as vezes, por todos os anjos, foram tão inúteis... Oh, um pedaço de carne jogada aos leões, negligência, solidão. 
Mas como ela poderia esconder tantas cicatrizes?
(Divirta-se com seu nada, divirta-se, yeah.)
Vazio no começo, e no fim. Quanta desordem.

domingo, 10 de outubro de 2010

Inside myself

Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, canções que me comovem, paixões que já nem lembro, perguntas sem respostas, respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não conheço. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto.
[Martha Medeiros]

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Uma biografia

A rotina volta, com força total. Mais um dia normal: trabalho, escola, casa...
É tão absurdamente monótono que chega a ser reconfortante. De um modo deprimente, mas ainda assim consolador.
  Uns dizem que é pessimismo, outros, realismo, e alguns até mesmo drama. Mas a verdade é que eu sonho, o tempo todo. São pequenos delírios enlouquecedores, tiros no escuro, um mundo desconhecido e incolor. A imaginação começa nos olhos, continua no sorriso e é concluída nas mãos que seguram esta caneta, que escrevem bobagens sem parar. E os olhos, que inicial esta parábola, são distraídos, e procuram respostas em detalhes insignificantes. Criam escudos para o coração, que tenta à todo custo se manter longe dessa guerra diplomática, sem saber que é só mais um beco sem saída...
É uma dívida paga todos os dias com juros altíssimos. Um pouco de dor insuportável, um pouco de agonia, não é suficiente por tudo o que foi dado antes, por tudo o que foi concebido.
Bênção?
Maldição?
Um terrível engano, talvez. Enquanto peças contraditórias se encaixam, o mundo explode, sacaneia, desgraça. Deus ou o Diabo, anjo ou demônio, que diferença faz? Tudo se mistura, vira um só e busca vingança, ah, a doce vingança, que entra por debaixo das portas, atravessa as paredes. Uma fissura, seguida de alucinações, loucuras e desejos há muito enterrados, saem à escuridão da noite para se satisfazerem, tanta dor, tanto prazer, oh...
Mais um texto distraído.
Quantos mais até eu aprender?

sábado, 14 de agosto de 2010

Make me feel baby, make me feel

Ela é tudo o que você mais ama, e tudo o que você mais odeia. São dois pólos opostos que te enlouquecem, que te excitam. Ela é sedutora e carinhosa, infiel e mentirosa, amante e traidora. Ela faz você pedir por mais, faz você subir pelas paredes, te deixa sem ar. E então ela te corta, te magoa, machuca, some. Esconde seus segredos por trás dos olhos, te faz imaginar horrores, te esquece com facilidade. Um objeto. Usado como e quando ela quer. E, no fundo, você ama esse poder, ama obedecê-la, oh, eu sei disso. Ela te faz perder a cabeça, te faz coisas que nenhuma outra mulher fez, não te nega nada. Sussurra no seu ouvido que o ama. Você a deseja, ela te enoja. Tã complicado, tão tentador, tão delirante. 
Esqueça todas as suas definições de paraíso, baby, ou de inferno. Ela é tudo isso pra você.

domingo, 1 de agosto de 2010

Sea change... She strange...

-ESPERA!
Ela gritou, ele ouviu e parou. Não olhou para trás, mas ela teve a certeza que ele ouvia. A dor que emanava dele era visível, quase como fumaça. Qualquer ato ou fala poderia desabar tudo, destruir toda a estabilidade de uma vida.
-Eu sei como é.
-Não, não sabe não!
Agressivo, impulsivo, irônico, bêbado. Péssima combinação.
- Ah, eu sei sim. Você sente que vai morrer sangrando de dor. Sente que já caiu,que não tem sentido em nada do que vê. E isso não vai passar. Nunca.
-O que você sabe sobre isso? Você é uma covarde! Acha que essas palavras vazias vão ajudar? Pois não vão. NÃO VÃO.
Calma, muita calma.
- Eu realmente, realmente sinto muito que tenha que passar por isso. Você não entende...
- O que é que eu não entendo? Eu não sou você. Não vou cometer os mesmos erros. Eu vou encarar, eu vou aguentar.
-Não, você não vai! Pode falar isso agora, mas não vai ser forte; ninguém é tanto assim.
- POIS EU VOU SER!
Ela chegou perto. Tirou uma faca do bolso. Cortou seu pulso.
-Me diga, agora: O que dói mais?
Ele não respondeu, mas ela já sabia a resposta. Tantas lágrimas desperdiçadas, tantas decepções guardadas, tudo jogado na rua, para todos e para ninguém. Quem poderia entender? Ninguém! Nada é paralelo, nada tem conserto. Um coração quebrado não ´pode ser reparado, não importa o tempo. Aliás, o tempo é aquilo que nos mata.
E ele chorou. E falou. Gritou tudo o que precisava, xingou todos os deuses do universo, crucificou-se, culpou-se, culpou-a. Entregou-se à dor sem dela precisar, sem conhecer totalmente as consequências. Mais um desesperado no mundo, mais um peso morto, alguém que dorme com a esperança de não mais acordar. E não importa quantos cortes ele faz, não importa quanta dor física ele tenha, ela nunca é suficiente. Nada nunca é suficiente.
Já é hora de morrer?

sábado, 31 de julho de 2010

Não há nada de concreto entre nossos lábios. Só um muro de batom e frases sem fim... Tudo se divide, todos se separam, nada é como parece ser. A diferença é o que temos em comum, como água e óleo, como sal e vinagre. Holofotes nos meus olhos, cegam mais do que iluminam. O escuro seria preferível, assim como o ódio é preferível à pena, ou a morte imediata é preferível à dor. Ninguém aqui está contente, ninguém aqui é culpado, ninguém aqui é inocente. Tanto que eu tinha pra falar, tanto que eu ouvi. Nem caiu e ficha, e já caiu a ligação. Eu estou esperando por uma resposta concreta, algo que me faça seguir em frente, algo que me faça matar, e morrer. Uma conclusão palpável, visível aos olhos. Entre raios e trovões, terremotos e vulcões, eu continuo respirando, continuo toda cortada por você.
Mas quem sabe... quem sabe eu inventei você, do jeito que achei melhor. Mas esqueci que era vida real. Não tinha crédito final.

domingo, 25 de julho de 2010

Espere até a última gota de sangue escorrer dos olhos e pise fundo nesse acelerador.
Esqueça todas as lembranças boas, prefira as ruins.
Busque conforto em facas e canivetes, em venenos e cigarros, repita tudo de novo.
Um drinque, uma dose de heroína, seja covarde.
Cutuque todos os machucados com bastões em brasa, marque-se por inteiro, como um boi que vai para o abate.
Escreva seu nome no livro-negro da morte, sinta o câncer dilacerar seu pulmão, beba muito café, beba muita vodca.
Mate-se, mate-se, mate-se.
Pulsos sangrando, tudo tão clichê. Olhos que matam, mesmo sem querer. Escudos que movem-se contra o protegido. Lábios de sangue, anjos caídos.
Como num pequeno diálogo:"Você tá se matando!", "Então me deixa morrer."
Falas desconexas, pensamentos impulsivos, gritos lacinantes.
Prove-me que estou errada, sempre escondi os meus erros. Me faça de idiota, termine com seus tormentos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

You're so tired, but I can't control myself

Uma lata de cerveja me faz companhia numa noite solitária. Como a boa covarde que sou, vou sentindo este suicídio masoquista, enquanto tento acender mais um cigarro, outro pedacinho de morte.
Talvez um café?
Não, nada de cafeína.
Um chá, talvez?
Céus, acho que preciso dormir.
Um sorriso maligno toma conta da face no ato da escrita, como se um exorcismo estivesse prestes a acontecer. Mas nem todos os demônios do inferno, ou todos os anjos do céu, me fariam mudar de idéia agora.
Deus, Diabo... Tão sedutor.
E se eu ouvisse o que você tem a dizer? Você iria embora, me deixaria, ou insistiria nessa mentira? Buscaria prazer no ódio, na dor, tão intensa e louca, tão movimentada nessa noite, cheia de adrenalina e de nada pra dizer?
Tão cheio de vazio, tão cheio de...
Oh, são riscos a correr, você sabe. E é tão gostoso ficar preso nessas ilusões, tão irreal e tentador.
Entregue-se a mim querido, como um bêbado se entrega à bebida, como eu me entrego à escrita, meu vício irreal. Tantas palavras perdem-se enquanto penso, tantos pensamentos atropelam uns aos outros, tanta coisa pra viajar, tanta coisa pra esquecer...
Desabar...
Escorregar nessa faca de dois lados, escolher o errado por acreditar, não que é o certo, mas que é o prazeroso... Entregar-se à essa loucura descomunal, sem pensar, mergulhar de cabeça num erro, gostar de solidão. Gostar disso, ah, eu não consigo me controlar, o som dessa guitarra enlouquece, mata.
Loucuras, é, eu gosto disso.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Protect me from what I want

Uma histórinha escolhida:
"-Sempre estas reticências, nunca um ponto final. Tudo foi longe demais, tudo saiu de controle, tudo ficou fora de lugar. Não é como  se apenas uma picada não fosse resolver tudo, mas a consciência do ato covarde me impede de fazer a mesma coisa de novo. As palavras abandonaram-me, me deixaram nesses delírios enlouquecedores, com esses sussurros gritantes que me deixam surdo.
-Como é?
-Como se cortar para ver o sangue escorrer, como beijar de olhos abertos, como roubar alguém poderoso. Sentir adrenalina o tempo todo, sentir o sangue pulsar, o coração estar vivo, os olhos lacrimejarem. Uma página de um livro ainda em branco, que é escrita e apagada, para começar tudo de novo. Tudo novo. Um lugar para cair, um remédio que te faz dormir, uma solidão hereditária. Uma doença que te consome por inteiro, que te faz sentir tudo ainda mais intensamente, que faz você correr, não para se esconder, mas para o combate, para a morte.
Curve-se para a morte, venha morrer.
- O que mais?
- Sempre a neura, sempre a abstinência, sempre querendo mais. Um viciado em dor, em sentir carne queimar, sangue escorrer. Não, isso não é uma confissão, um ato de desabafo, uma tentativa de obter perdão. Eu escolhi viver assim, menina, eu fui meu Deus no meio de todo esse inferno. Eu, e só eu, fui corajoso para fazer o que todos tinham vontade. Consegue ver as cicatrizes? Há muito que não uso roupas abertas, há muito que não saio à luz do dia.
- Você tinha medo?
- De morrer? De jeito nenhum. Todos os caminhos que escolhi quase me levaram à morte, e nunca pensei nela propriamente. Eu gostava de sentir ela bem perto, e de escapar, como um gatuno esperto que sabe o que faz. E realmente sabia, não? Hoje estou aqui, vivo, para contar-te esta anedota! Mas deixe-me alertá-la: são histórias antigas, histórias de um velho que há muito esqueceu o que era viver. Histórias de quem sentiu o coração bater por anos e anos, mas que agora não é nada mais do que uma carcaça, um corpo sendo consumido pelo tempo. Sempre vivi à beira do penhasco, sempre soube que era ali, entre a vida e morte, que tudo valia à pena. Nunca escondi o que eu sentia, nunca poupei gemidos de prazer, ódio, amor, paixão, nunca me poupei sequer de morrer. E continuo morrendo, dia após dia, enquanto forneço esse amor morto.
- E quando tudo isso acabar? Quando sua consciência te abandonar, acha mesmo que tudo vai ter valido a pena?
- Quando acabar? Ora minha cara, não seja cega. Já acabou! Enquando te conto uma história, outros estão lá fora, fazendo exatamente o que eu fazia há 50 anos atrás; Bem, suponho que vocês sejam os jovens agora."
Uma despedida.
A notícia de um suicídio. Em câmera lenta.
E para você, o que significa realmente viver?

domingo, 18 de julho de 2010

The world is a vampire (like, like a venom)

Estátuas me olham enquanto caminho, me seguem como fantasmas, como sombra.
Seria pura imaginação?
Olhos castanhos, tão doces, tão puros, tão intensos na chuva que lava meus pecados, um pedaço de paraíso dentro do inferno.
Foi tão, tão fácil criar um escudo e me manter dentro dele todo esse tempo, tão fácil afastar todo mundo e esquecer. Mas os olhos perseguem o tempo todo, nada os apaga, nada os impede de machucar, invadir, machucar.
Como um Midas oposto, destruo tudo o que toco, mato todos que amo. Estúpidos aqueles que ainda insistem, que teimam em errar de novo, que buscam-me, mesmo na morte.
Lágrimas de crocodilo se formam, tentam convencer, mas elas são enganadoras demais, opostas demais ao sentido das palavras que saem da boca, percorrem os olhos e escondem na alma. São rostos marcados de sangue, do meu sangue, assassinato após assassinato, crime após crime. Sem culpa, sem regra, sem desculpas, sem amor.
É tudo tão contraditório, tudo tão ilusório, está tudo tão perto de mim. Eu vejo cada milimetro dessa dor imutável, cada célula que se move ao redor desse globo de problemas. Essa esquizofrenia real, esses monstros imaginários, esses olhos perseguidores. Um cubo de pensamentos, que batem nestas paredes fechadas e cruzam-se o tempo todo, como  imãs maléfico, dispostos a condenar.
Mas essa dor, essa dor é real; tão real quanto a chuva que cai, tão real quanto estas estátuas, tão real quanto todos os problemas.
Cada situação arranca um pedacinho, e até quando terei pedaços para ser arrancados? Tantas promessas quebradas, tantos fios cortados, tantos espaços vazios que não podem mais ser preenchidos. É um longo tempo de espera, tempo demais, tempo morto.
Estas mãos que lhes escreve agora, senhores, são mãos que matam, que destroem tudo, o tempo todo. São mãos manchadas de sangue inocente, mãos experientes, que já agem inconscientemente, puro hábito mórbido. E esse sorriso que vos engana, é a última coisa que podem ver, um sorriso que vai se transformando num esgar à medida que vai matando, à medida que obtêm mais e mais sangue.
Digam-me agora, senhores: Depois de tantos avisos, conseguem se manter longe?
Eu duvido.

domingo, 4 de julho de 2010

Uma assassina, é isso que sou. Uma fugitiva em busca de mais e mais corpos, um monstro que busca violência. Com o que eu pareço? Com o mágico de Oz? Você precisa de um cérebro? Pegue o meu. Pegue tudo de mim. Me estraçalhe, me corte, me esconda, mas não me deixe cometer os mesmos erros de novo. Não espere que eu esqueça tudo o que fiz, tudo que passei, para seguir adiante. Não espere que eu siga meus instintos, que eu ceda a meus caprichos insensatamente, que eu busque mais ódio enquanto me despedaço dentro desse cubo. São todos estranhos sem rostos, olhares medonhos de ninguém, é apenas vazio.

Eu sou o vazio.

domingo, 20 de junho de 2010

Aqui estou, mais uma vez, despindo-me num texto. Droga de impulsos idiotas que não consigo controlar. Mais uma folha desperdiçada, mais uma lágrima roubada, mais um suspiro atrevido. Enquanto meus estúpidos sentimentos tomam conta, acendo um cigarro, deito na cama e deixo a mente vagar, sem me concentrar num ponto específico. Qualquer lugar, qualquer pessoa, qualquer situação.  Imagens aleatórias de uma semi-vida comum, uma história entre tantas na multidão. E eu vejo, por trás de todos os sorrisos e olhares, algo frio, vazio. Choro, como uma criança que perdeu todas as suas bonecas, e depois me tranquilizo, como um viciado depois de uma picada de heroína.
Eu sei, que tudo já acabou, que tudo já passou; Mas não pretendo esquecer, meu doce sonho, doce pesadelo.

domingo, 13 de junho de 2010

Tic-toc
Tic-toc
Tic-toc
Os pulsos já sangram, a dor já está presente. As lágrimas já escorrem, a cabeça já lateja, o coração já está acelerado.
Então, é hora do consolo chegar.
Tic-toc,tic-toc,tic-toc
Eu só espero isso passar, espero a dor fisica ser mais forte, mas nada parece mudar. Espelhos refletem apenas um rosto, acabado, precisando dormir. Lágrimas escorrem dos olhos aos lábios, salgadas e dolorosas. Como um castelo de areia,com apenas um ato brusco, uma vida foi acabada, mais uma pessoa foi eliminada.
Não faz diferença sera primeira; o importante era ser a única. Mas,cheguei atrasada, não fui sua primeira paixão.
Tic-toc,tic-toc,tic-toc...

sábado, 5 de junho de 2010

Mein Herz Brennt

Meu coração queima, por conter coisas proibidas e impossíveis.
Meu coração queima, por não poder mais respirar.
Meu coração queima, porque não tem mais motivos para bater.
Meu coração queima, porque está devastado, cortado, mutilado.
Meu coração queima, por conter cacos, pequenos demais para serem consertados, mas grandes o suficiente para cortarem em tantas outras partes.
Meu coração queima, porque não tenho porquê viver.
Meu coração queima, porque não tenho mais você.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Leave away all the bad feelings

A lágrima não cai, o coração não se quebra, a boca reaprende a sorrir.
Isso se chama agonia?
Brinco de Deus com a sua vida, tento curar suas feridas, mas apenas as transfiro para mim.
Como isso pode se chamar felicidade?
Eu fico em pedaços quando te vejo sorrindo longe de mim, me mato aos poucos, sem saber direito a razão de estar assim. A estrada é longa, meus passos de criança são lentos, e somente agora consigo respirar. Mas o fogo ainda arde, as estacas ainda estão cravadas no peito,ainda sangro. Como uma hemorragia interna, me mata, escondido dos olhares alheios.
Nada vai fazer isso parar, nada vai me fazer esquecer. Como uma droga que me deixa cega, me engana o tempo todo, e agora estou mais perdida,e mais sozinha.
Nunca falo de morte,contudo, ela me persegue. A vida esvazia-se, o fio se quebra, a hora chega.
Adeus.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

...And I can't say "I love you"

O papel está em branco, esperando uma pronunciação. Linhas soltas tentam ordenar-se num texto, esforços em vão. Os verbos se exaltam, as preposições vão embora, os artigos dormem. Em revolta, tudo se dispersa, deixam tudo mais desorganizado ignoram a gramática. Fogem do ritmo contínuo, querem ousar, querem se arriscar. Sair do padrão, fazer a diferença, não ter sentido algum.
Sentir a emoção que envolve a escrita... Mostrar exatamente como ganham vida na mão dos poetas.
Podem vir os descrentes, podem vir os céticos; Estou armada com minhas palavras desconexas, e estou pronta para qualquer batalha e toda a guerra.
Isso fez algum sentido?

domingo, 30 de maio de 2010

A little piece of heaven




Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional

que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta
Clarice Lispector

sábado, 29 de maio de 2010

Eu fui levada a acreditar que tudo daria certo. Mesmo com todos os indícios dizendo o contrário, a esperança, falsa, fingidora, estava ali, mais forte, poderosa.
E eu cai, cai, cai, cai de novo, caí todas as vezes. Como um anjo desonrado, desci e permaneci no chão, fui embora e me machuquei, busquei forças e não encontrei.
Fugi de lugares, deixei de ouvir sons, parei de ver fotografias. Os sorrisos morreram, as vozes silenciaram, os amigos desapareceram.
Que dia o pesadelo acaba, pro sonho começar?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Essa é a estaca final. Não há mais nada adiante, nada para prosseguir. É tudo absurdamente finito, como se viver já não fosse ruim o bastante, ainda temos que morrer...
Deveríamos simplesmente não existir. Não nascer, viver ou morrer. Não ocupar espaço nos lugares e nas vidas das pessoas, não se ocupar com ninguém, pelo simples fato de ser o ninguém.
E então não sentiríamos mais dor...Não existiriam buracos. Nada de lágrimas para chorar, não afundaríamos mais no travesseiro em noites solitárias, abafando gritos e soluços.
Qual é o preço disso?
-Eu estou disposta a pagar.
E onde está o meu copo de cerveja?
-Em qualquer esquina, qualquer bar.
Estou tão cansada de ficar parada no mesmo lugar... Fugir dava a sensação de movimento, mas e agora?
Esse mau agouro não me abandona; agora,creio que vou morrer.

terça-feira, 18 de maio de 2010

"Risos infernais,vozes que gritam,estranhos sem rosto...."
Escola. A mesma melancolia de sempre,a mesma chateação. Os rostos dos professores mudam, mas a falação e os pedidos são os mesmos. Adolescentes insuportáveis pensam que são os donos do mundo, tão presunçosos e imortais.
Bate a vontade de fumar, de ir embora. Voltar pra casa, ver um filme qualquer, sentir nicotina nos pulmões, morrer engasgada com fumaça. A saudade,porém, prende, sufoca, inferniza.
É esse o futuro,então? Um bando de pessoas sem nada pra fazer,um cara sentado na cadeira pedindo silêncio para as paredes?
Há o fato da discórdia nesse ponto, entretanto. Há a intuição de que nada disso é necessário, tudo pode ser facilmente resolvido. Basta abandonar tudo, esquecer. Acender o desejado cigarro, sentir seu gosto adocicado, sorrir.
Um sorriso pequeno,sincero,feliz.
E a melancolia invade os sentidos novamente, assim como a vontade de fugir e deixar tudo pra trás...
Mais um cigarro,e talvez outro, talvez mais alguns...
E fogo,fogo,fogo...

domingo, 16 de maio de 2010

How does it feel?

Hey,você!
O buraco já está aberto,por que continua cavando?
Hey,olhe pra mim!
Estou falando agora, consegue me escutar?
Fuja com suas mentiras deslavadas,vá embora antes que seja tarde
Salve-se, busque refúgio nas sombras, seja mais um rato do mundo
Corra para a mamãe, corra para o papai, eles te esperam no portão
Com panquecas e roupas limpas
-Oh, quanta hipocrisia!
Grite para ser ouvido!
Lute para conseguir!
Você não sabe o que é o mundo,não venha com lições de moral
Estou me arriscando e perdendo tudo, e não me importo se isso te parece radical.
Quantos túmulos tem visto, quantas igrejas tem visitado?
Mil estátuas de pedras, todas em ruínas
Não se espelhe nos meus atos,eles são muito diferentes dos seus
Procure seus amigos,oh,onde eles estão?
Suas ironias e olhares descrentes
Seu riso sarcástico, milhões de perguntas esperando respostas
Finja o quanto quiser,
mas morrer NÃO dói.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sobre os dias

Não há mais nada que falar, pensar ou ouvir sobre isso. Não há mais ninguém aqui.
Você pode, por favor, me enterrar junto com meu passado?
Há um buraco aqui, um buraco que você deveria estar.
Eu posso, por favor, te enterrar junto com o seu passado?
O fundo do poço é paciente, esperado, previsível. Não há nada para temer, há somente o nada, o vazio. O intruso aqui é o medo, e a coragem tenta afastar.
- Como é morrer?
Eu não saberia dizer.
- O que isso significa?
Eu não poderia te responder.
Essa ligação entre corpos, essa compreensão entre mentes, esses sentimentos entre corações... Qual é o valor disso? De que importa respirar?
Essa maldita estrada não tem fim, a felicidade não existe coisa nenhuma. Há somente lapsos em que a mente esquece da dor, há distrações que privam os olhos de lágrimas. As lembranças são apenas substituídas por outras lembranças. O ciclo nunca muda.






Essa é minha rotina particular.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Um punhado de folhas secas jaz em minha mão. Despedaço-as, pensando vagamente que meu coração poderia estar ali e ninguém perceberia a diferença, tamanha era a semelhança do ato de despedaçar.
Um soluço incômodo brota na garganta, ansioso, querendo se libertar. A quietude é tão intensa e desejada que não ouso quebrá-lo com minhas manhas e caprichos. O barulho da chuva é meu único amigo no momento, e eu penso em como seria bom se isso durasse por um tempo infindável.
Não há mal nenhum na solidão; Ela acalenta,como uma mãe preocupada. Ela não te abandona. Te dá paz.
Por que as pessoas não a buscam,então?
O ser humano parece achá-la deprimente; não conseguem ver a beleza por trás da melancolia, não entendem o seu real significado. Não vêem a sua imortalidade, a sua poesia.
Felizes são aqueles que são solitários por natureza; conseguem entender a essência de tudo, sabem apreciar, amar.
Felizes aqueles que se conhecem, e que sabem conviver consigo mesmo, passando assim a ignorar todasas fraquezas humanas.
Felizes aqueles que são seus próprios heróis.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Uma tempestade de sons está vindo de lugar nenhum.
Um pedaço de inferno, meu pedaço de morte. Meu abrigo está longe, não há casa em lugar nenhum, não há nada que eu possa chamar de lar.
Já perdi o controle, a razão não existe mais. Estou quebrando todas as regras para me sentir bem, e estou fazendo isso exatamente como quero.
Nada de dor, nada de melancolia, nada de lágrimas.
Ah, se eu pudesse me sentir sempre assim!...
Por um momento, por um único e curto momento, eu voltei a ser feliz.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

I did my time

Um fogo aterrorizante
Existente em minhas próprias veias
A condenação sublime
O mal caminho escolhido
Todos os medos enterrados

E eu sei, eu sei que terei que aguentar...
Todos os sussurros entrecortados
Todos os buracos tapados

E se eu ignorar esse dia
Eu poderei ser alguém
Estou tão cansada do seu estúpido ódio
Que eu poderia dormir dias e dias sem fim

Eu não posso fugir do meu inferno congelado
Porque estou presa nele.
Afundada, sem vida, isolada
Posso fugir dos dias, mas não de você.

O tempo não passa, ele parou junto comigo
Não estou sentindo nada, meus pés estão frios
Tudo sai do lugar, tudo vem me banalizar
E eu não acho que vou resistir

Posso correr ou lutar,
Cair ou insistir
Mas uma coisa não vai mudar:
O inferno congelou,
E estou presa nele.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

In the cold light of morning

Um olho aberto, depois outro. Uma respiração tensa, assustada, rápida. Uma batida de coração.
Depois,o silêncio.
É assim toda manhã, todo despertar. O frio era mais uma prova de que tudo seria do mesmo jeito, nada mudaria. Não hoje, não nunca.
Um jeans, uma camiseta, um tênis.
Um casaco. Um par de luvas.
Detalhes de uma vida monótona, de uma existência forçada. Assim como uma manhã fria de abril, espera-se que o sol saia, mas tudo o que temos é uma chuva fina, mas que ainda molha. Tudo poderia ser acabado rapidamente se houvesse mais alternativas. Se houvesse a incerteza, se a dúvida pudesse ser plantada. Uma semente sequer, que pudesse ser regada todos os dias, atéestar grande o suficiente para dar frutos. Mas não há dúvidas, tudo está muito certo, tudo está preparado. Por mais que o fim seja odioso, ele sempre começa com as cenas certas. Como eu disse, tudo organizado. Todos os detalhes envolvidos, todas as linhas quebradas, todos os caminhos seguidos.
Nada de fins rápidos.
Há o drama teatral, a dor da perda, as lágrimas. Tudo minuciosamente pensado.
Afinal, era mais uma manhã fria de abril.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Eu.Estou.Enlouquecendo.
Eis um fato. Com três E's.
Você pode me ajudar agora? Antes que eu caia?
Mas...E se eu não quiser a sua ajuda?
E se você cair?
Tente me entender... Não estou mais em paz.
Então, por que não acabar com isso?
Não será rápido,nada disso. Ainda tenho muito tempo. Ainda há muita dor para cultivar.
Mas afinal, por que diabos você se importa?
Não venha fingir que me ama. Não venha me falar de amor enquanto eu falo de ódio, como se isso representasse tudo aquilo que nós somos. No fundo, isso não passa de uma farsa, uma convivência conveniente. Ainda temos tempo para acabar com isso, ainda podemos ir embora. Somos tão jovens! Não importa o que está acontecendo comigo agora, eu não vou dvidir com você. Estou tão cansada, preciso tanto dormir, preciso não voltar mais à consciência.
Eu posso? Eu devo?
O que vale mais?
Toda essa vontade de correr, toda essa vontade de não lembrar, de sentir tudo cessar.
Valeria a pena passar por tudo isso de novo?
Por favor,por favor, não me faça tentar. Eu não acho que posso suportar essa dor de novo. A solidão é preferível, é honesta, não vai me deixar. Eu não posso arriscar esse futuro sólido por algo que provavelmente vai me ferir.
Eu sinto muito.

...Even in death our love goes on

Estou abandonando minha sensatez para mergulhar num barco naufragado. Estou deixando os sorrisos para poder ficar com as lágrimas. Estou abraçando a dor,deitando sobre a saudade, estou de mãos dadas com a tristeza.
Eu vejo as pessoas sonhando na cama,deixo-as sorrindo enquanto saio pela janela para o frio noturno. Se você estiver na cidade,apareça,eu me dedicarei pessoalmente para te fazer sonhar.
Vou cicatrizar todas as suas feridas, vou te tirar destes becos...Oh, como é doce seu sorriso,meu amor, como é bom sangrar por você.
E apesar de lembrar de todas as suas promessas vazias, eu ainda estou aqui morrendo de compaixão. Nunca iremos nos separar meu querido, nunca, nunca, nunca...
Você permanecerá aqui...
Somos abençados pelo diabo, meu querido. Ninguém vai nos tirar daqui.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

So much better

"E se a resposta pra tudo estivesse nas suas mãos? E se a fuga que você tanto busca estivesse nesse frasco? O que você faria?"

As vozes se pronunciam novamente,expondo suas opiniões. Todas elas querem me dizer o que fazer, mas eu não me importo. No fundo, eu já sei o que vou fazer, o que significa que vou fraquejar novamente. Os motivos são palpáveis, está no ar, bem à vista de qualquer um. Eu poderia tentar esconder, eu poderia mesmo. Mas não vou. é uma ótima oferta, mas não vou aceitá-la. Não sou uma barbie, não fico sorrindo o tempo todo e bancando a idiota sem cérebro. Eu vou sentir intensamente cada sentimento,vou ouvir cada palavra, beber cada gota de sangue que sai de mim.  Vou ficar com todo esse vazio, tão consolador, tão honesto. Eu estou aqui, mostrando-me, nua e tão vazia, enquanto você finge ser feliz, fazendo o papel de barbie social. É admirável sua coragem, devo ressaltar essa vírgula, porém é absurdamente mesquinho. Enoja-me ver a que ponto a situação chegou, a que extremo você foi para me abrir esse buraco. Sim, eu estou no fundo do poço, sem enxergar qualquer luz, mas ainda estou viva. O buraco é a prova de que tudo realmente aconteceu, de que toda a dor valeu a pena, de que cada pedaço de tempo não foi em vão. Eu aprendi a não esperar, a não tentar, a abandonar a esperança, tão inutilmente solitária. O coração ainda funciona, e cada batida, cada fração de segundo, dói terrivelmente. Respirar causa dor, como um quase afogamento, uma busca incessante por mais vazio, por mais nada. 
O futuro não desperta mais interesse, ele é monótono. Eu estou enlouquecendo, quebrando todas as regras, cometendo um suicídio em câmera lenta, e você está aí, parado, todo certinho, fazendo tudo o que te mandam, como um cachorrinho de madame. Eu estou respirando com dor, não estou tentando esquecer nada, e você está passando por cima de tudo, como se a sua ponte não fosse cair um dia.
Oh querido, eu te conheço melhor do que pensas, porque eu me conheço, e te vejo refletido em mim. Meu pequeno e doce hipócrita, tente fugir de si mesmo,e veja quão profundo será o corte depois. Olhe nos meus olhos, diga como está feliz, como será bom ter uma vida sem problemas, tão tranquila, sem erros. Engane-se mais e mais a cada dia, não busque nada, seja todo mundo, esqueça você. Vamos lá, é apenas uma sugestão, um palpitar de opinião, um finito particular.
Ainda estou esperando a resposta... Ainda consegue me ver?
Estou bem diante dos seus olhos.

sábado, 17 de abril de 2010

...E não me venha dar sermão :D

Estou definhando. Assim como o meu cigarro diminui enquanto eu fumo, minha vida está se esvaindo rápido demais,e eu não me sinto culpada por isso,nem um pouco. Estou me matando, e estou feliz, estou bem. O problema é meu, a dor é minha, a errada sou eu. Estou me matando porque é isso que mereço, é isso que quero,isso que preciso.
Garrafas e mais garrafas estão vazias do meu lado, mas ainda não é o suficiente. As lágrimas só se acumulam enquanto escrevo aqui e agora, caindo aos pedaços. A roupa está amassada, estou com frio, e estou prestando atenção em mais detalhes do que gostaria de estar. Não consigo afastar esses malditos pensamentos, esses únicos sonhos, essa única pessoa de mim. Eu estou definhando,e não é sem motivo. Eu sou fraca, inócua e inútil. Ainda estou aqui,parada, esperando minha vida acabar, enquanto os outros estão lá fora, vivendo. E ainda não consigo me sentir mal por isso. Afinal,que mal há? Estou apenas morrendo, existem mais 6 bilhões de pessoas no planeta. Não importa quantos morram, sempre terá alguém para substituir.
O tempo não nos cura. Ele nos mata.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Dedicatória

Ontem eu chorei. Não foi de felicidade, nem de dor, foi de saudade. Chorei porque precisava, porque me senti viva novamente. Chorei por puro alívio e egoísmo, chorei sozinha, não quis ninguém. A noite me acalentava, me aquecia, tirava todo o enorme vazio de mim. Por uma única noite, eu senti todo esse enorme vazio sem participar dele, não senti dor. Foi como se tivesse experimentado meu próprio veneno, mas sem a necessidade de morrer. Foi por pura resignação. Não uma fraqueza, mas uma força, uma coragem repentina.
Aliás, é um imenso prazer saber que, apesar do que me transformei, ainda sou capaz de algo nobre como chorar. Não quero e não vou mostrar minhas lágrimas a ninguém, elas são minhas, o meu segredo comigo mesma. Meu vazio só aumenta, e eu não quero mais respirar e sentir esses pedaços que flutuam por sobrevivência, querendo fugir dessa malição, dessa doce e terrível maldição. E é a certeza de que nunca mais vou ficar bem que me corta mais, a certeza de que nunca vou ser capaz de cicatrizar tudo isso. Assim como você se foi, jovem demais, eu também quero ir, ficar perto de você, voltar a sorrir. Meu ponto de paz e inspiração, você faz muita, muita falta.
Meu irmão,meu Diamond Potter, meu Kevin.
⋆ 13.O4.1993 // † 2O.O8.2OO8

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Lobotomia de palavras

Pensando no meu presente, recordando o passado e almejando o futuro,cheguei à conclusão de que não sou nada nem ninguém sem você...
A sineta toca, dando início a mais uma aula. Tem prova,mas não estou me importando muito. Esse é o menor dos meus problemas.
Ouço o professor explicar e explicar, mas não consigo me concentrar. A cabeça está longe, está nas palavras perdidas em lugar nenhum, está nas vozes vindas de ninguém.
Tento entender toda essa angústia, busco motivos para aceitá-la. Viajo no espaço, no meu infinito particular, mas é apenas uma viagem incompreensível e sem sentido. As vozes gritam, mas todos falam ao mesmo tempo e rápido demais, não dá para parar.
Entenda, eu realmente quero sair dessa situação, mas eu nao posso. Eu prometi. E, apesar da dor, é essa promessa que faz meu coração bater, o sangue pulsar nas veias, o pulmão respirar. As palavras fogem do controle, me escapam, me amam, me odeiam.
As minhas lembranças me sufocam, me prendem, me matam. Vou fazer uma lobotomia de palavras, e assim eu paro de respirar, e volto a viver.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Rostos,vozes,emoções
olhares,amigos,amores.
Fico olhando essas palavras. Esta não é a resposta,eu sei,mas não consigo evitar. Está tudo aqui escrito, bem diante dos meus olhos, não há como ignorar. A sensação é estranha, como um fantasma te perseguindo, como um animal querendo o seu sangue. O coração acelera, os pensamentos ficam avoados, a vista turva. Tudo fica rápido demais, enquanto eu penso em como seria bom se tudo desacelerasse até parar...
Perder os sentidos, simplesmente não pensar... Cair no meu abismo, não enxergar mais a luz, falsa esperança. Eu poderia ter paz, se simplesmente não sentisse. Eu teria uma garrafa de vodca como companhia, e não mais essas estúpidas emoções.
É, eu acho que virei uma covarde.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

My sweet prince

Hoje quero descrever como estou me sentindo: estou chorando feridas que nunca cicatrizam...Posso eu encontrar um salvador verdadeiro ou estou apenas sonhando demais?
Sem hesitação e sem drama, engulo toas as drogas que você me oferece. Nunca quis ficar na abstinência, a loucura da areia movediça é melhor.
Observar a gravidade na minha cabeça, sem escapatória... Cair dura no chão, e ver o teto girar,com fones no ouvido tocando um som pesado, gosto de imaginar você se aproximando.
E quando a lucidez me atinge, e fico com medo de ficar sozinha, a raiva aparece e me consome, porque eu quero você, e tudo o que tenho é essa maldita dor de cabeça, e estou chegando ao fundo, sozinha, sozinha, sozinha...
Estou partida em dois,e uma parte de mim já morreu.

domingo, 11 de abril de 2010

2:05 da manhã,e ainda estou acordada,vendo TV. Um programa qualquer passa, mas não estou com ânimo para mudar de canal.A insônia não me abandona mais, e isso só aumenta o meu desânimo. As lágrimas se formam aos montes em meus olhos, mas nenhuma cai. Não vale a pena, é apenas ela,pensam, e ficam em seus lugares, quietinhas.
Insensível? Sim,eu sou. Melhor dizendo, me transformei em uma,para aguentar o tranco. E amanhã eu irei levantar como se nada tivesse acontecido e farei o café, fumarei um cigarro e olharei pela janela para ver os carros passando, como faço em todas as malditas manhãs que acordo pensando em como seria bom não acordar.
Uma maquiagem borrada suja meu rosto,e eu passo a mão nos olhos, tentando me livrar daquilo. O sono finalmente começa a chegar, mas por algum motivo ele vem acompanhado de angústias, dores e agonia.
Talvez,desta vez... eu não acorde mais.

sábado, 10 de abril de 2010

Respire...apenas respire...Respire...

Os dedos pousam nas teclas, mas nenhum som sai. Ela fecha os olhos amargurada, triste. Uma melodia começa, mas não há nenhuma emoção ali. O piano segue as ordens de sua mestra, mas emana frieza, velhice. Retratos empoeirados na parede mostram uma felicidade há muito esquecida, há muito apagada, há muito... abandonada. Está anoitecendo, não há nenhuma luz no quarto, e as sombras se tornam cada vez maiores.
A melodia continua, e a pianista sorri um sorriso frio e distante, completamente sem vida. As lágrimas caem, peroladas e salgadas, mas ela não as sente, ou então se esforça muito para não sentir, porque ela está cansada das emoções, cansada de se entregar, de buscar e nunca alcançar, de sentir sozinha.
Aliás, para que sentimentos? Eles apenas machucam! A melodia se tornava mais agressiva a cada nota, e seus dedos poderiam sangrar, tamanha era a sua dor. Seu sorriso, no entanto, não desaparecia, porque ela aprendera a sorrir sempre, a mentir, fingir.
E ela tocava, chorava, sorria, pensava. Seu frenesi era intenso, libertador, incontrolável. A cabeça girava, e ainda sem abrir os olhos, foi suavizando a canção, até seus dedos tocarem uma última vez no amado piano. Chega de lembranças felizes.
Era tudo passado, e ela estava pronta para o futuro.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

If you're there,beware

Já são quase cinco da manhã, e ainda estou aqui parada. Flutuo entre o sonho e a realidade, e não sei dizer qual é qual. Meus olhos estão vidrados no nada, mostrando que não estou prestando atenção. Por que ainda insisto em esperar? O sol tinge de vermelho o horizonte, mas ele não me aquece. Minha sombra aparece, e me pergunto se EU não sou uma sombra: apagada, quase inexistente, porém escura quando há luz. Fujo de pensamentos proibidos, tão presa, enclausurada dentro da minha mente.
Correr, correr, correr.
Como uma brincadeira de criança, faço e falo coisas sem pensar, brinco de viver. Com meus olhos castanhos inocentes, eu iludo, traio, minto, beijo... beijo... E tudo isso apenas com a casca que esconde a minha malícia, meus pensamentos, minhas emoções...
E cair, cair, cair...