segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Uma biografia

A rotina volta, com força total. Mais um dia normal: trabalho, escola, casa...
É tão absurdamente monótono que chega a ser reconfortante. De um modo deprimente, mas ainda assim consolador.
  Uns dizem que é pessimismo, outros, realismo, e alguns até mesmo drama. Mas a verdade é que eu sonho, o tempo todo. São pequenos delírios enlouquecedores, tiros no escuro, um mundo desconhecido e incolor. A imaginação começa nos olhos, continua no sorriso e é concluída nas mãos que seguram esta caneta, que escrevem bobagens sem parar. E os olhos, que inicial esta parábola, são distraídos, e procuram respostas em detalhes insignificantes. Criam escudos para o coração, que tenta à todo custo se manter longe dessa guerra diplomática, sem saber que é só mais um beco sem saída...
É uma dívida paga todos os dias com juros altíssimos. Um pouco de dor insuportável, um pouco de agonia, não é suficiente por tudo o que foi dado antes, por tudo o que foi concebido.
Bênção?
Maldição?
Um terrível engano, talvez. Enquanto peças contraditórias se encaixam, o mundo explode, sacaneia, desgraça. Deus ou o Diabo, anjo ou demônio, que diferença faz? Tudo se mistura, vira um só e busca vingança, ah, a doce vingança, que entra por debaixo das portas, atravessa as paredes. Uma fissura, seguida de alucinações, loucuras e desejos há muito enterrados, saem à escuridão da noite para se satisfazerem, tanta dor, tanto prazer, oh...
Mais um texto distraído.
Quantos mais até eu aprender?

sábado, 14 de agosto de 2010

Make me feel baby, make me feel

Ela é tudo o que você mais ama, e tudo o que você mais odeia. São dois pólos opostos que te enlouquecem, que te excitam. Ela é sedutora e carinhosa, infiel e mentirosa, amante e traidora. Ela faz você pedir por mais, faz você subir pelas paredes, te deixa sem ar. E então ela te corta, te magoa, machuca, some. Esconde seus segredos por trás dos olhos, te faz imaginar horrores, te esquece com facilidade. Um objeto. Usado como e quando ela quer. E, no fundo, você ama esse poder, ama obedecê-la, oh, eu sei disso. Ela te faz perder a cabeça, te faz coisas que nenhuma outra mulher fez, não te nega nada. Sussurra no seu ouvido que o ama. Você a deseja, ela te enoja. Tã complicado, tão tentador, tão delirante. 
Esqueça todas as suas definições de paraíso, baby, ou de inferno. Ela é tudo isso pra você.

domingo, 1 de agosto de 2010

Sea change... She strange...

-ESPERA!
Ela gritou, ele ouviu e parou. Não olhou para trás, mas ela teve a certeza que ele ouvia. A dor que emanava dele era visível, quase como fumaça. Qualquer ato ou fala poderia desabar tudo, destruir toda a estabilidade de uma vida.
-Eu sei como é.
-Não, não sabe não!
Agressivo, impulsivo, irônico, bêbado. Péssima combinação.
- Ah, eu sei sim. Você sente que vai morrer sangrando de dor. Sente que já caiu,que não tem sentido em nada do que vê. E isso não vai passar. Nunca.
-O que você sabe sobre isso? Você é uma covarde! Acha que essas palavras vazias vão ajudar? Pois não vão. NÃO VÃO.
Calma, muita calma.
- Eu realmente, realmente sinto muito que tenha que passar por isso. Você não entende...
- O que é que eu não entendo? Eu não sou você. Não vou cometer os mesmos erros. Eu vou encarar, eu vou aguentar.
-Não, você não vai! Pode falar isso agora, mas não vai ser forte; ninguém é tanto assim.
- POIS EU VOU SER!
Ela chegou perto. Tirou uma faca do bolso. Cortou seu pulso.
-Me diga, agora: O que dói mais?
Ele não respondeu, mas ela já sabia a resposta. Tantas lágrimas desperdiçadas, tantas decepções guardadas, tudo jogado na rua, para todos e para ninguém. Quem poderia entender? Ninguém! Nada é paralelo, nada tem conserto. Um coração quebrado não ´pode ser reparado, não importa o tempo. Aliás, o tempo é aquilo que nos mata.
E ele chorou. E falou. Gritou tudo o que precisava, xingou todos os deuses do universo, crucificou-se, culpou-se, culpou-a. Entregou-se à dor sem dela precisar, sem conhecer totalmente as consequências. Mais um desesperado no mundo, mais um peso morto, alguém que dorme com a esperança de não mais acordar. E não importa quantos cortes ele faz, não importa quanta dor física ele tenha, ela nunca é suficiente. Nada nunca é suficiente.
Já é hora de morrer?

sábado, 31 de julho de 2010

Não há nada de concreto entre nossos lábios. Só um muro de batom e frases sem fim... Tudo se divide, todos se separam, nada é como parece ser. A diferença é o que temos em comum, como água e óleo, como sal e vinagre. Holofotes nos meus olhos, cegam mais do que iluminam. O escuro seria preferível, assim como o ódio é preferível à pena, ou a morte imediata é preferível à dor. Ninguém aqui está contente, ninguém aqui é culpado, ninguém aqui é inocente. Tanto que eu tinha pra falar, tanto que eu ouvi. Nem caiu e ficha, e já caiu a ligação. Eu estou esperando por uma resposta concreta, algo que me faça seguir em frente, algo que me faça matar, e morrer. Uma conclusão palpável, visível aos olhos. Entre raios e trovões, terremotos e vulcões, eu continuo respirando, continuo toda cortada por você.
Mas quem sabe... quem sabe eu inventei você, do jeito que achei melhor. Mas esqueci que era vida real. Não tinha crédito final.

domingo, 25 de julho de 2010

Espere até a última gota de sangue escorrer dos olhos e pise fundo nesse acelerador.
Esqueça todas as lembranças boas, prefira as ruins.
Busque conforto em facas e canivetes, em venenos e cigarros, repita tudo de novo.
Um drinque, uma dose de heroína, seja covarde.
Cutuque todos os machucados com bastões em brasa, marque-se por inteiro, como um boi que vai para o abate.
Escreva seu nome no livro-negro da morte, sinta o câncer dilacerar seu pulmão, beba muito café, beba muita vodca.
Mate-se, mate-se, mate-se.
Pulsos sangrando, tudo tão clichê. Olhos que matam, mesmo sem querer. Escudos que movem-se contra o protegido. Lábios de sangue, anjos caídos.
Como num pequeno diálogo:"Você tá se matando!", "Então me deixa morrer."
Falas desconexas, pensamentos impulsivos, gritos lacinantes.
Prove-me que estou errada, sempre escondi os meus erros. Me faça de idiota, termine com seus tormentos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

You're so tired, but I can't control myself

Uma lata de cerveja me faz companhia numa noite solitária. Como a boa covarde que sou, vou sentindo este suicídio masoquista, enquanto tento acender mais um cigarro, outro pedacinho de morte.
Talvez um café?
Não, nada de cafeína.
Um chá, talvez?
Céus, acho que preciso dormir.
Um sorriso maligno toma conta da face no ato da escrita, como se um exorcismo estivesse prestes a acontecer. Mas nem todos os demônios do inferno, ou todos os anjos do céu, me fariam mudar de idéia agora.
Deus, Diabo... Tão sedutor.
E se eu ouvisse o que você tem a dizer? Você iria embora, me deixaria, ou insistiria nessa mentira? Buscaria prazer no ódio, na dor, tão intensa e louca, tão movimentada nessa noite, cheia de adrenalina e de nada pra dizer?
Tão cheio de vazio, tão cheio de...
Oh, são riscos a correr, você sabe. E é tão gostoso ficar preso nessas ilusões, tão irreal e tentador.
Entregue-se a mim querido, como um bêbado se entrega à bebida, como eu me entrego à escrita, meu vício irreal. Tantas palavras perdem-se enquanto penso, tantos pensamentos atropelam uns aos outros, tanta coisa pra viajar, tanta coisa pra esquecer...
Desabar...
Escorregar nessa faca de dois lados, escolher o errado por acreditar, não que é o certo, mas que é o prazeroso... Entregar-se à essa loucura descomunal, sem pensar, mergulhar de cabeça num erro, gostar de solidão. Gostar disso, ah, eu não consigo me controlar, o som dessa guitarra enlouquece, mata.
Loucuras, é, eu gosto disso.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Protect me from what I want

Uma histórinha escolhida:
"-Sempre estas reticências, nunca um ponto final. Tudo foi longe demais, tudo saiu de controle, tudo ficou fora de lugar. Não é como  se apenas uma picada não fosse resolver tudo, mas a consciência do ato covarde me impede de fazer a mesma coisa de novo. As palavras abandonaram-me, me deixaram nesses delírios enlouquecedores, com esses sussurros gritantes que me deixam surdo.
-Como é?
-Como se cortar para ver o sangue escorrer, como beijar de olhos abertos, como roubar alguém poderoso. Sentir adrenalina o tempo todo, sentir o sangue pulsar, o coração estar vivo, os olhos lacrimejarem. Uma página de um livro ainda em branco, que é escrita e apagada, para começar tudo de novo. Tudo novo. Um lugar para cair, um remédio que te faz dormir, uma solidão hereditária. Uma doença que te consome por inteiro, que te faz sentir tudo ainda mais intensamente, que faz você correr, não para se esconder, mas para o combate, para a morte.
Curve-se para a morte, venha morrer.
- O que mais?
- Sempre a neura, sempre a abstinência, sempre querendo mais. Um viciado em dor, em sentir carne queimar, sangue escorrer. Não, isso não é uma confissão, um ato de desabafo, uma tentativa de obter perdão. Eu escolhi viver assim, menina, eu fui meu Deus no meio de todo esse inferno. Eu, e só eu, fui corajoso para fazer o que todos tinham vontade. Consegue ver as cicatrizes? Há muito que não uso roupas abertas, há muito que não saio à luz do dia.
- Você tinha medo?
- De morrer? De jeito nenhum. Todos os caminhos que escolhi quase me levaram à morte, e nunca pensei nela propriamente. Eu gostava de sentir ela bem perto, e de escapar, como um gatuno esperto que sabe o que faz. E realmente sabia, não? Hoje estou aqui, vivo, para contar-te esta anedota! Mas deixe-me alertá-la: são histórias antigas, histórias de um velho que há muito esqueceu o que era viver. Histórias de quem sentiu o coração bater por anos e anos, mas que agora não é nada mais do que uma carcaça, um corpo sendo consumido pelo tempo. Sempre vivi à beira do penhasco, sempre soube que era ali, entre a vida e morte, que tudo valia à pena. Nunca escondi o que eu sentia, nunca poupei gemidos de prazer, ódio, amor, paixão, nunca me poupei sequer de morrer. E continuo morrendo, dia após dia, enquanto forneço esse amor morto.
- E quando tudo isso acabar? Quando sua consciência te abandonar, acha mesmo que tudo vai ter valido a pena?
- Quando acabar? Ora minha cara, não seja cega. Já acabou! Enquando te conto uma história, outros estão lá fora, fazendo exatamente o que eu fazia há 50 anos atrás; Bem, suponho que vocês sejam os jovens agora."
Uma despedida.
A notícia de um suicídio. Em câmera lenta.
E para você, o que significa realmente viver?

domingo, 18 de julho de 2010

The world is a vampire (like, like a venom)

Estátuas me olham enquanto caminho, me seguem como fantasmas, como sombra.
Seria pura imaginação?
Olhos castanhos, tão doces, tão puros, tão intensos na chuva que lava meus pecados, um pedaço de paraíso dentro do inferno.
Foi tão, tão fácil criar um escudo e me manter dentro dele todo esse tempo, tão fácil afastar todo mundo e esquecer. Mas os olhos perseguem o tempo todo, nada os apaga, nada os impede de machucar, invadir, machucar.
Como um Midas oposto, destruo tudo o que toco, mato todos que amo. Estúpidos aqueles que ainda insistem, que teimam em errar de novo, que buscam-me, mesmo na morte.
Lágrimas de crocodilo se formam, tentam convencer, mas elas são enganadoras demais, opostas demais ao sentido das palavras que saem da boca, percorrem os olhos e escondem na alma. São rostos marcados de sangue, do meu sangue, assassinato após assassinato, crime após crime. Sem culpa, sem regra, sem desculpas, sem amor.
É tudo tão contraditório, tudo tão ilusório, está tudo tão perto de mim. Eu vejo cada milimetro dessa dor imutável, cada célula que se move ao redor desse globo de problemas. Essa esquizofrenia real, esses monstros imaginários, esses olhos perseguidores. Um cubo de pensamentos, que batem nestas paredes fechadas e cruzam-se o tempo todo, como  imãs maléfico, dispostos a condenar.
Mas essa dor, essa dor é real; tão real quanto a chuva que cai, tão real quanto estas estátuas, tão real quanto todos os problemas.
Cada situação arranca um pedacinho, e até quando terei pedaços para ser arrancados? Tantas promessas quebradas, tantos fios cortados, tantos espaços vazios que não podem mais ser preenchidos. É um longo tempo de espera, tempo demais, tempo morto.
Estas mãos que lhes escreve agora, senhores, são mãos que matam, que destroem tudo, o tempo todo. São mãos manchadas de sangue inocente, mãos experientes, que já agem inconscientemente, puro hábito mórbido. E esse sorriso que vos engana, é a última coisa que podem ver, um sorriso que vai se transformando num esgar à medida que vai matando, à medida que obtêm mais e mais sangue.
Digam-me agora, senhores: Depois de tantos avisos, conseguem se manter longe?
Eu duvido.

domingo, 4 de julho de 2010

Uma assassina, é isso que sou. Uma fugitiva em busca de mais e mais corpos, um monstro que busca violência. Com o que eu pareço? Com o mágico de Oz? Você precisa de um cérebro? Pegue o meu. Pegue tudo de mim. Me estraçalhe, me corte, me esconda, mas não me deixe cometer os mesmos erros de novo. Não espere que eu esqueça tudo o que fiz, tudo que passei, para seguir adiante. Não espere que eu siga meus instintos, que eu ceda a meus caprichos insensatamente, que eu busque mais ódio enquanto me despedaço dentro desse cubo. São todos estranhos sem rostos, olhares medonhos de ninguém, é apenas vazio.

Eu sou o vazio.

domingo, 20 de junho de 2010

Aqui estou, mais uma vez, despindo-me num texto. Droga de impulsos idiotas que não consigo controlar. Mais uma folha desperdiçada, mais uma lágrima roubada, mais um suspiro atrevido. Enquanto meus estúpidos sentimentos tomam conta, acendo um cigarro, deito na cama e deixo a mente vagar, sem me concentrar num ponto específico. Qualquer lugar, qualquer pessoa, qualquer situação.  Imagens aleatórias de uma semi-vida comum, uma história entre tantas na multidão. E eu vejo, por trás de todos os sorrisos e olhares, algo frio, vazio. Choro, como uma criança que perdeu todas as suas bonecas, e depois me tranquilizo, como um viciado depois de uma picada de heroína.
Eu sei, que tudo já acabou, que tudo já passou; Mas não pretendo esquecer, meu doce sonho, doce pesadelo.

domingo, 13 de junho de 2010

Tic-toc
Tic-toc
Tic-toc
Os pulsos já sangram, a dor já está presente. As lágrimas já escorrem, a cabeça já lateja, o coração já está acelerado.
Então, é hora do consolo chegar.
Tic-toc,tic-toc,tic-toc
Eu só espero isso passar, espero a dor fisica ser mais forte, mas nada parece mudar. Espelhos refletem apenas um rosto, acabado, precisando dormir. Lágrimas escorrem dos olhos aos lábios, salgadas e dolorosas. Como um castelo de areia,com apenas um ato brusco, uma vida foi acabada, mais uma pessoa foi eliminada.
Não faz diferença sera primeira; o importante era ser a única. Mas,cheguei atrasada, não fui sua primeira paixão.
Tic-toc,tic-toc,tic-toc...

sábado, 5 de junho de 2010

Mein Herz Brennt

Meu coração queima, por conter coisas proibidas e impossíveis.
Meu coração queima, por não poder mais respirar.
Meu coração queima, porque não tem mais motivos para bater.
Meu coração queima, porque está devastado, cortado, mutilado.
Meu coração queima, por conter cacos, pequenos demais para serem consertados, mas grandes o suficiente para cortarem em tantas outras partes.
Meu coração queima, porque não tenho porquê viver.
Meu coração queima, porque não tenho mais você.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Leave away all the bad feelings

A lágrima não cai, o coração não se quebra, a boca reaprende a sorrir.
Isso se chama agonia?
Brinco de Deus com a sua vida, tento curar suas feridas, mas apenas as transfiro para mim.
Como isso pode se chamar felicidade?
Eu fico em pedaços quando te vejo sorrindo longe de mim, me mato aos poucos, sem saber direito a razão de estar assim. A estrada é longa, meus passos de criança são lentos, e somente agora consigo respirar. Mas o fogo ainda arde, as estacas ainda estão cravadas no peito,ainda sangro. Como uma hemorragia interna, me mata, escondido dos olhares alheios.
Nada vai fazer isso parar, nada vai me fazer esquecer. Como uma droga que me deixa cega, me engana o tempo todo, e agora estou mais perdida,e mais sozinha.
Nunca falo de morte,contudo, ela me persegue. A vida esvazia-se, o fio se quebra, a hora chega.
Adeus.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

...And I can't say "I love you"

O papel está em branco, esperando uma pronunciação. Linhas soltas tentam ordenar-se num texto, esforços em vão. Os verbos se exaltam, as preposições vão embora, os artigos dormem. Em revolta, tudo se dispersa, deixam tudo mais desorganizado ignoram a gramática. Fogem do ritmo contínuo, querem ousar, querem se arriscar. Sair do padrão, fazer a diferença, não ter sentido algum.
Sentir a emoção que envolve a escrita... Mostrar exatamente como ganham vida na mão dos poetas.
Podem vir os descrentes, podem vir os céticos; Estou armada com minhas palavras desconexas, e estou pronta para qualquer batalha e toda a guerra.
Isso fez algum sentido?

domingo, 30 de maio de 2010

A little piece of heaven




Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional

que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta
Clarice Lispector

sábado, 29 de maio de 2010

Eu fui levada a acreditar que tudo daria certo. Mesmo com todos os indícios dizendo o contrário, a esperança, falsa, fingidora, estava ali, mais forte, poderosa.
E eu cai, cai, cai, cai de novo, caí todas as vezes. Como um anjo desonrado, desci e permaneci no chão, fui embora e me machuquei, busquei forças e não encontrei.
Fugi de lugares, deixei de ouvir sons, parei de ver fotografias. Os sorrisos morreram, as vozes silenciaram, os amigos desapareceram.
Que dia o pesadelo acaba, pro sonho começar?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Essa é a estaca final. Não há mais nada adiante, nada para prosseguir. É tudo absurdamente finito, como se viver já não fosse ruim o bastante, ainda temos que morrer...
Deveríamos simplesmente não existir. Não nascer, viver ou morrer. Não ocupar espaço nos lugares e nas vidas das pessoas, não se ocupar com ninguém, pelo simples fato de ser o ninguém.
E então não sentiríamos mais dor...Não existiriam buracos. Nada de lágrimas para chorar, não afundaríamos mais no travesseiro em noites solitárias, abafando gritos e soluços.
Qual é o preço disso?
-Eu estou disposta a pagar.
E onde está o meu copo de cerveja?
-Em qualquer esquina, qualquer bar.
Estou tão cansada de ficar parada no mesmo lugar... Fugir dava a sensação de movimento, mas e agora?
Esse mau agouro não me abandona; agora,creio que vou morrer.

terça-feira, 18 de maio de 2010

"Risos infernais,vozes que gritam,estranhos sem rosto...."
Escola. A mesma melancolia de sempre,a mesma chateação. Os rostos dos professores mudam, mas a falação e os pedidos são os mesmos. Adolescentes insuportáveis pensam que são os donos do mundo, tão presunçosos e imortais.
Bate a vontade de fumar, de ir embora. Voltar pra casa, ver um filme qualquer, sentir nicotina nos pulmões, morrer engasgada com fumaça. A saudade,porém, prende, sufoca, inferniza.
É esse o futuro,então? Um bando de pessoas sem nada pra fazer,um cara sentado na cadeira pedindo silêncio para as paredes?
Há o fato da discórdia nesse ponto, entretanto. Há a intuição de que nada disso é necessário, tudo pode ser facilmente resolvido. Basta abandonar tudo, esquecer. Acender o desejado cigarro, sentir seu gosto adocicado, sorrir.
Um sorriso pequeno,sincero,feliz.
E a melancolia invade os sentidos novamente, assim como a vontade de fugir e deixar tudo pra trás...
Mais um cigarro,e talvez outro, talvez mais alguns...
E fogo,fogo,fogo...

domingo, 16 de maio de 2010

How does it feel?

Hey,você!
O buraco já está aberto,por que continua cavando?
Hey,olhe pra mim!
Estou falando agora, consegue me escutar?
Fuja com suas mentiras deslavadas,vá embora antes que seja tarde
Salve-se, busque refúgio nas sombras, seja mais um rato do mundo
Corra para a mamãe, corra para o papai, eles te esperam no portão
Com panquecas e roupas limpas
-Oh, quanta hipocrisia!
Grite para ser ouvido!
Lute para conseguir!
Você não sabe o que é o mundo,não venha com lições de moral
Estou me arriscando e perdendo tudo, e não me importo se isso te parece radical.
Quantos túmulos tem visto, quantas igrejas tem visitado?
Mil estátuas de pedras, todas em ruínas
Não se espelhe nos meus atos,eles são muito diferentes dos seus
Procure seus amigos,oh,onde eles estão?
Suas ironias e olhares descrentes
Seu riso sarcástico, milhões de perguntas esperando respostas
Finja o quanto quiser,
mas morrer NÃO dói.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sobre os dias

Não há mais nada que falar, pensar ou ouvir sobre isso. Não há mais ninguém aqui.
Você pode, por favor, me enterrar junto com meu passado?
Há um buraco aqui, um buraco que você deveria estar.
Eu posso, por favor, te enterrar junto com o seu passado?
O fundo do poço é paciente, esperado, previsível. Não há nada para temer, há somente o nada, o vazio. O intruso aqui é o medo, e a coragem tenta afastar.
- Como é morrer?
Eu não saberia dizer.
- O que isso significa?
Eu não poderia te responder.
Essa ligação entre corpos, essa compreensão entre mentes, esses sentimentos entre corações... Qual é o valor disso? De que importa respirar?
Essa maldita estrada não tem fim, a felicidade não existe coisa nenhuma. Há somente lapsos em que a mente esquece da dor, há distrações que privam os olhos de lágrimas. As lembranças são apenas substituídas por outras lembranças. O ciclo nunca muda.






Essa é minha rotina particular.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Um punhado de folhas secas jaz em minha mão. Despedaço-as, pensando vagamente que meu coração poderia estar ali e ninguém perceberia a diferença, tamanha era a semelhança do ato de despedaçar.
Um soluço incômodo brota na garganta, ansioso, querendo se libertar. A quietude é tão intensa e desejada que não ouso quebrá-lo com minhas manhas e caprichos. O barulho da chuva é meu único amigo no momento, e eu penso em como seria bom se isso durasse por um tempo infindável.
Não há mal nenhum na solidão; Ela acalenta,como uma mãe preocupada. Ela não te abandona. Te dá paz.
Por que as pessoas não a buscam,então?
O ser humano parece achá-la deprimente; não conseguem ver a beleza por trás da melancolia, não entendem o seu real significado. Não vêem a sua imortalidade, a sua poesia.
Felizes são aqueles que são solitários por natureza; conseguem entender a essência de tudo, sabem apreciar, amar.
Felizes aqueles que se conhecem, e que sabem conviver consigo mesmo, passando assim a ignorar todasas fraquezas humanas.
Felizes aqueles que são seus próprios heróis.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Uma tempestade de sons está vindo de lugar nenhum.
Um pedaço de inferno, meu pedaço de morte. Meu abrigo está longe, não há casa em lugar nenhum, não há nada que eu possa chamar de lar.
Já perdi o controle, a razão não existe mais. Estou quebrando todas as regras para me sentir bem, e estou fazendo isso exatamente como quero.
Nada de dor, nada de melancolia, nada de lágrimas.
Ah, se eu pudesse me sentir sempre assim!...
Por um momento, por um único e curto momento, eu voltei a ser feliz.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

I did my time

Um fogo aterrorizante
Existente em minhas próprias veias
A condenação sublime
O mal caminho escolhido
Todos os medos enterrados

E eu sei, eu sei que terei que aguentar...
Todos os sussurros entrecortados
Todos os buracos tapados

E se eu ignorar esse dia
Eu poderei ser alguém
Estou tão cansada do seu estúpido ódio
Que eu poderia dormir dias e dias sem fim

Eu não posso fugir do meu inferno congelado
Porque estou presa nele.
Afundada, sem vida, isolada
Posso fugir dos dias, mas não de você.

O tempo não passa, ele parou junto comigo
Não estou sentindo nada, meus pés estão frios
Tudo sai do lugar, tudo vem me banalizar
E eu não acho que vou resistir

Posso correr ou lutar,
Cair ou insistir
Mas uma coisa não vai mudar:
O inferno congelou,
E estou presa nele.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

In the cold light of morning

Um olho aberto, depois outro. Uma respiração tensa, assustada, rápida. Uma batida de coração.
Depois,o silêncio.
É assim toda manhã, todo despertar. O frio era mais uma prova de que tudo seria do mesmo jeito, nada mudaria. Não hoje, não nunca.
Um jeans, uma camiseta, um tênis.
Um casaco. Um par de luvas.
Detalhes de uma vida monótona, de uma existência forçada. Assim como uma manhã fria de abril, espera-se que o sol saia, mas tudo o que temos é uma chuva fina, mas que ainda molha. Tudo poderia ser acabado rapidamente se houvesse mais alternativas. Se houvesse a incerteza, se a dúvida pudesse ser plantada. Uma semente sequer, que pudesse ser regada todos os dias, atéestar grande o suficiente para dar frutos. Mas não há dúvidas, tudo está muito certo, tudo está preparado. Por mais que o fim seja odioso, ele sempre começa com as cenas certas. Como eu disse, tudo organizado. Todos os detalhes envolvidos, todas as linhas quebradas, todos os caminhos seguidos.
Nada de fins rápidos.
Há o drama teatral, a dor da perda, as lágrimas. Tudo minuciosamente pensado.
Afinal, era mais uma manhã fria de abril.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Eu.Estou.Enlouquecendo.
Eis um fato. Com três E's.
Você pode me ajudar agora? Antes que eu caia?
Mas...E se eu não quiser a sua ajuda?
E se você cair?
Tente me entender... Não estou mais em paz.
Então, por que não acabar com isso?
Não será rápido,nada disso. Ainda tenho muito tempo. Ainda há muita dor para cultivar.
Mas afinal, por que diabos você se importa?
Não venha fingir que me ama. Não venha me falar de amor enquanto eu falo de ódio, como se isso representasse tudo aquilo que nós somos. No fundo, isso não passa de uma farsa, uma convivência conveniente. Ainda temos tempo para acabar com isso, ainda podemos ir embora. Somos tão jovens! Não importa o que está acontecendo comigo agora, eu não vou dvidir com você. Estou tão cansada, preciso tanto dormir, preciso não voltar mais à consciência.
Eu posso? Eu devo?
O que vale mais?
Toda essa vontade de correr, toda essa vontade de não lembrar, de sentir tudo cessar.
Valeria a pena passar por tudo isso de novo?
Por favor,por favor, não me faça tentar. Eu não acho que posso suportar essa dor de novo. A solidão é preferível, é honesta, não vai me deixar. Eu não posso arriscar esse futuro sólido por algo que provavelmente vai me ferir.
Eu sinto muito.

...Even in death our love goes on

Estou abandonando minha sensatez para mergulhar num barco naufragado. Estou deixando os sorrisos para poder ficar com as lágrimas. Estou abraçando a dor,deitando sobre a saudade, estou de mãos dadas com a tristeza.
Eu vejo as pessoas sonhando na cama,deixo-as sorrindo enquanto saio pela janela para o frio noturno. Se você estiver na cidade,apareça,eu me dedicarei pessoalmente para te fazer sonhar.
Vou cicatrizar todas as suas feridas, vou te tirar destes becos...Oh, como é doce seu sorriso,meu amor, como é bom sangrar por você.
E apesar de lembrar de todas as suas promessas vazias, eu ainda estou aqui morrendo de compaixão. Nunca iremos nos separar meu querido, nunca, nunca, nunca...
Você permanecerá aqui...
Somos abençados pelo diabo, meu querido. Ninguém vai nos tirar daqui.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

So much better

"E se a resposta pra tudo estivesse nas suas mãos? E se a fuga que você tanto busca estivesse nesse frasco? O que você faria?"

As vozes se pronunciam novamente,expondo suas opiniões. Todas elas querem me dizer o que fazer, mas eu não me importo. No fundo, eu já sei o que vou fazer, o que significa que vou fraquejar novamente. Os motivos são palpáveis, está no ar, bem à vista de qualquer um. Eu poderia tentar esconder, eu poderia mesmo. Mas não vou. é uma ótima oferta, mas não vou aceitá-la. Não sou uma barbie, não fico sorrindo o tempo todo e bancando a idiota sem cérebro. Eu vou sentir intensamente cada sentimento,vou ouvir cada palavra, beber cada gota de sangue que sai de mim.  Vou ficar com todo esse vazio, tão consolador, tão honesto. Eu estou aqui, mostrando-me, nua e tão vazia, enquanto você finge ser feliz, fazendo o papel de barbie social. É admirável sua coragem, devo ressaltar essa vírgula, porém é absurdamente mesquinho. Enoja-me ver a que ponto a situação chegou, a que extremo você foi para me abrir esse buraco. Sim, eu estou no fundo do poço, sem enxergar qualquer luz, mas ainda estou viva. O buraco é a prova de que tudo realmente aconteceu, de que toda a dor valeu a pena, de que cada pedaço de tempo não foi em vão. Eu aprendi a não esperar, a não tentar, a abandonar a esperança, tão inutilmente solitária. O coração ainda funciona, e cada batida, cada fração de segundo, dói terrivelmente. Respirar causa dor, como um quase afogamento, uma busca incessante por mais vazio, por mais nada. 
O futuro não desperta mais interesse, ele é monótono. Eu estou enlouquecendo, quebrando todas as regras, cometendo um suicídio em câmera lenta, e você está aí, parado, todo certinho, fazendo tudo o que te mandam, como um cachorrinho de madame. Eu estou respirando com dor, não estou tentando esquecer nada, e você está passando por cima de tudo, como se a sua ponte não fosse cair um dia.
Oh querido, eu te conheço melhor do que pensas, porque eu me conheço, e te vejo refletido em mim. Meu pequeno e doce hipócrita, tente fugir de si mesmo,e veja quão profundo será o corte depois. Olhe nos meus olhos, diga como está feliz, como será bom ter uma vida sem problemas, tão tranquila, sem erros. Engane-se mais e mais a cada dia, não busque nada, seja todo mundo, esqueça você. Vamos lá, é apenas uma sugestão, um palpitar de opinião, um finito particular.
Ainda estou esperando a resposta... Ainda consegue me ver?
Estou bem diante dos seus olhos.

sábado, 17 de abril de 2010

...E não me venha dar sermão :D

Estou definhando. Assim como o meu cigarro diminui enquanto eu fumo, minha vida está se esvaindo rápido demais,e eu não me sinto culpada por isso,nem um pouco. Estou me matando, e estou feliz, estou bem. O problema é meu, a dor é minha, a errada sou eu. Estou me matando porque é isso que mereço, é isso que quero,isso que preciso.
Garrafas e mais garrafas estão vazias do meu lado, mas ainda não é o suficiente. As lágrimas só se acumulam enquanto escrevo aqui e agora, caindo aos pedaços. A roupa está amassada, estou com frio, e estou prestando atenção em mais detalhes do que gostaria de estar. Não consigo afastar esses malditos pensamentos, esses únicos sonhos, essa única pessoa de mim. Eu estou definhando,e não é sem motivo. Eu sou fraca, inócua e inútil. Ainda estou aqui,parada, esperando minha vida acabar, enquanto os outros estão lá fora, vivendo. E ainda não consigo me sentir mal por isso. Afinal,que mal há? Estou apenas morrendo, existem mais 6 bilhões de pessoas no planeta. Não importa quantos morram, sempre terá alguém para substituir.
O tempo não nos cura. Ele nos mata.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Dedicatória

Ontem eu chorei. Não foi de felicidade, nem de dor, foi de saudade. Chorei porque precisava, porque me senti viva novamente. Chorei por puro alívio e egoísmo, chorei sozinha, não quis ninguém. A noite me acalentava, me aquecia, tirava todo o enorme vazio de mim. Por uma única noite, eu senti todo esse enorme vazio sem participar dele, não senti dor. Foi como se tivesse experimentado meu próprio veneno, mas sem a necessidade de morrer. Foi por pura resignação. Não uma fraqueza, mas uma força, uma coragem repentina.
Aliás, é um imenso prazer saber que, apesar do que me transformei, ainda sou capaz de algo nobre como chorar. Não quero e não vou mostrar minhas lágrimas a ninguém, elas são minhas, o meu segredo comigo mesma. Meu vazio só aumenta, e eu não quero mais respirar e sentir esses pedaços que flutuam por sobrevivência, querendo fugir dessa malição, dessa doce e terrível maldição. E é a certeza de que nunca mais vou ficar bem que me corta mais, a certeza de que nunca vou ser capaz de cicatrizar tudo isso. Assim como você se foi, jovem demais, eu também quero ir, ficar perto de você, voltar a sorrir. Meu ponto de paz e inspiração, você faz muita, muita falta.
Meu irmão,meu Diamond Potter, meu Kevin.
⋆ 13.O4.1993 // † 2O.O8.2OO8

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Lobotomia de palavras

Pensando no meu presente, recordando o passado e almejando o futuro,cheguei à conclusão de que não sou nada nem ninguém sem você...
A sineta toca, dando início a mais uma aula. Tem prova,mas não estou me importando muito. Esse é o menor dos meus problemas.
Ouço o professor explicar e explicar, mas não consigo me concentrar. A cabeça está longe, está nas palavras perdidas em lugar nenhum, está nas vozes vindas de ninguém.
Tento entender toda essa angústia, busco motivos para aceitá-la. Viajo no espaço, no meu infinito particular, mas é apenas uma viagem incompreensível e sem sentido. As vozes gritam, mas todos falam ao mesmo tempo e rápido demais, não dá para parar.
Entenda, eu realmente quero sair dessa situação, mas eu nao posso. Eu prometi. E, apesar da dor, é essa promessa que faz meu coração bater, o sangue pulsar nas veias, o pulmão respirar. As palavras fogem do controle, me escapam, me amam, me odeiam.
As minhas lembranças me sufocam, me prendem, me matam. Vou fazer uma lobotomia de palavras, e assim eu paro de respirar, e volto a viver.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Rostos,vozes,emoções
olhares,amigos,amores.
Fico olhando essas palavras. Esta não é a resposta,eu sei,mas não consigo evitar. Está tudo aqui escrito, bem diante dos meus olhos, não há como ignorar. A sensação é estranha, como um fantasma te perseguindo, como um animal querendo o seu sangue. O coração acelera, os pensamentos ficam avoados, a vista turva. Tudo fica rápido demais, enquanto eu penso em como seria bom se tudo desacelerasse até parar...
Perder os sentidos, simplesmente não pensar... Cair no meu abismo, não enxergar mais a luz, falsa esperança. Eu poderia ter paz, se simplesmente não sentisse. Eu teria uma garrafa de vodca como companhia, e não mais essas estúpidas emoções.
É, eu acho que virei uma covarde.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

My sweet prince

Hoje quero descrever como estou me sentindo: estou chorando feridas que nunca cicatrizam...Posso eu encontrar um salvador verdadeiro ou estou apenas sonhando demais?
Sem hesitação e sem drama, engulo toas as drogas que você me oferece. Nunca quis ficar na abstinência, a loucura da areia movediça é melhor.
Observar a gravidade na minha cabeça, sem escapatória... Cair dura no chão, e ver o teto girar,com fones no ouvido tocando um som pesado, gosto de imaginar você se aproximando.
E quando a lucidez me atinge, e fico com medo de ficar sozinha, a raiva aparece e me consome, porque eu quero você, e tudo o que tenho é essa maldita dor de cabeça, e estou chegando ao fundo, sozinha, sozinha, sozinha...
Estou partida em dois,e uma parte de mim já morreu.

domingo, 11 de abril de 2010

2:05 da manhã,e ainda estou acordada,vendo TV. Um programa qualquer passa, mas não estou com ânimo para mudar de canal.A insônia não me abandona mais, e isso só aumenta o meu desânimo. As lágrimas se formam aos montes em meus olhos, mas nenhuma cai. Não vale a pena, é apenas ela,pensam, e ficam em seus lugares, quietinhas.
Insensível? Sim,eu sou. Melhor dizendo, me transformei em uma,para aguentar o tranco. E amanhã eu irei levantar como se nada tivesse acontecido e farei o café, fumarei um cigarro e olharei pela janela para ver os carros passando, como faço em todas as malditas manhãs que acordo pensando em como seria bom não acordar.
Uma maquiagem borrada suja meu rosto,e eu passo a mão nos olhos, tentando me livrar daquilo. O sono finalmente começa a chegar, mas por algum motivo ele vem acompanhado de angústias, dores e agonia.
Talvez,desta vez... eu não acorde mais.

sábado, 10 de abril de 2010

Respire...apenas respire...Respire...

Os dedos pousam nas teclas, mas nenhum som sai. Ela fecha os olhos amargurada, triste. Uma melodia começa, mas não há nenhuma emoção ali. O piano segue as ordens de sua mestra, mas emana frieza, velhice. Retratos empoeirados na parede mostram uma felicidade há muito esquecida, há muito apagada, há muito... abandonada. Está anoitecendo, não há nenhuma luz no quarto, e as sombras se tornam cada vez maiores.
A melodia continua, e a pianista sorri um sorriso frio e distante, completamente sem vida. As lágrimas caem, peroladas e salgadas, mas ela não as sente, ou então se esforça muito para não sentir, porque ela está cansada das emoções, cansada de se entregar, de buscar e nunca alcançar, de sentir sozinha.
Aliás, para que sentimentos? Eles apenas machucam! A melodia se tornava mais agressiva a cada nota, e seus dedos poderiam sangrar, tamanha era a sua dor. Seu sorriso, no entanto, não desaparecia, porque ela aprendera a sorrir sempre, a mentir, fingir.
E ela tocava, chorava, sorria, pensava. Seu frenesi era intenso, libertador, incontrolável. A cabeça girava, e ainda sem abrir os olhos, foi suavizando a canção, até seus dedos tocarem uma última vez no amado piano. Chega de lembranças felizes.
Era tudo passado, e ela estava pronta para o futuro.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

If you're there,beware

Já são quase cinco da manhã, e ainda estou aqui parada. Flutuo entre o sonho e a realidade, e não sei dizer qual é qual. Meus olhos estão vidrados no nada, mostrando que não estou prestando atenção. Por que ainda insisto em esperar? O sol tinge de vermelho o horizonte, mas ele não me aquece. Minha sombra aparece, e me pergunto se EU não sou uma sombra: apagada, quase inexistente, porém escura quando há luz. Fujo de pensamentos proibidos, tão presa, enclausurada dentro da minha mente.
Correr, correr, correr.
Como uma brincadeira de criança, faço e falo coisas sem pensar, brinco de viver. Com meus olhos castanhos inocentes, eu iludo, traio, minto, beijo... beijo... E tudo isso apenas com a casca que esconde a minha malícia, meus pensamentos, minhas emoções...
E cair, cair, cair...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Fugindo de mim

Estou fugindo de fotos,lugares e rostos. Estou fugindo de cheiros, de vozes, de risos,de vontades. Estou fugindo de lembranças, de sábados solitários, de livros e autores. Estou fugindo do amor, da paixão, do ciúme, do prazer. Estou fugindo dos sons, das flores, dos bombons e presentes. Estou fugindo da imaginação, da escrita, dos beijos e abraços, das opiniões.
Resumindo...Estou fugindo de mim.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Especial

Obs: Esse texto NÃO é meu,é de uma amiga que me pediu pra publicá-lo (:

Era uma tarde fria e escura e eu estava sozinha, sem esperança,achando que a vida não tinha sentido.Que nenhum caminho era o correto e ninguém seria capaz de me amar!
Logo começo a tentar mudar, não ser mais tímida, correr atrás dos meus sonhos sozinha e fazer a diferença!
Mas logo caio,são ilusões, decepções atrás de decepções. Aí falo e agora? O que farei? O que será? Desistir dessa vida? Prosseguir?
Então resolvo buscar algo diferente! Algum amigo que possa me mostrar no que estou errando...
Encontro então Benny Him!  Um amigo bom, que sempre tentou me mostrar a diferença, e eu nunca quis! Mas agora, minha alma grita por isso!
Benny e eu temos uma ótima conversa, e logo algo toma conta de Benny e ele parece não falar por si só! Eu choro,choro,e entendo o que ele quis me mostrar todo esse tempo!
Assim aceito,vivo, e sinto algo maior morando em meu coração! E entendo que eu nunca conseguiria mudar sozinho, mas poderia aceitar a verdade e dar o passo para TE aceitar!
(Stefanie da Costa)

Sad but True

A felicidade.
Duas pessoas.
Um sonho.
Tic-tac,tic-tac. O despertador toca, e eu retorno ao pesadelo da vida real. levanto,ainda zonza de sono, e olho pela janela.
Coincidentemente, o tempo está me refletindo: frio e nublado. Uma chuva fina molha a janela,e eu fecho os olhos, desejando dormir novamente.
Duas pessoas.
O sonho.
Uma lágrima percorre meu rosto, meu coração e minhas lembranças. As pessoas são tão mentirosas. O tempo não cura todas as feridas. O tempo só piora tudo, não cicatriza, só deixa marcas que não podem ser apagadas...
Se eu pudesse só esquecer, tudo ficaria bem...
Uma dose. É disso que eu preciso.
Só mais uma.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Mais um dia. Observo tudo ao redor sem, contudo, prestar atenção. Um diário aberto no meu colo espera uma explicação, uma palavra de consolo qualquer. Busco palavras pra descrever o que sinto, mas não encontro nenhuma.
Não pode ser amor. Amor é muito mais puro.
Não pode ser ódio. Ódio é muito mais forte.
Não pode ser paixão. Paixão é muito mais intensa.
O que é isso,então?
Fragmentos de felicidade me mostram tudo o que eu tinha e perdi... Lembranças que corroem pouco a pouco e machucam mais do que aparentam...
Não há mais força pra esconder, pra fingir e fugir disso... O cansaço me venceu, me fez cair, me provou que não sou absolutamente nada nem ninguém...
Posso chorar, mas minhas lágrimas serão inuteis.
Posso falar, mas ninguém vai ouvir minha voz.
O que fazer então?
Escrever.
Deixar de lado todos os medos e mostrar o que há realmente dentro de mim...Buscar forças pra continuar, mesmo sem ser feliz. Olhar para os lados e prestar atenção, renascer as cinzas.
Olhar nos olhos das pessoas e dizer: "É,eu vou sobreviver."

domingo, 4 de abril de 2010

Meu infinito particular

Morte. Depressão. Ódio. Amor.
 Afinal, o que me dá forças pra continuar? Eu preciso sentir? Preciso mesmo continuar respirando? O que diabos tô fazendo aqui? O que estou fazendo de errado?
Doeria morrer?
Egoísmo.
E quem fica, o que faria? Doeria ficar?
Dor.
Cada lufada de ar que chega ao pulmão é um diferente tipo de dor. Um punho de ferro, uma facada, um tiro. É como se eu girasse em torno da minha dor, e não a dor em torno de mim.
Eu poderia esquecer, é claro. Esquecer seria tão nobre! Esquecer significaria uma segunda chance. De viver.
E seria realmente viver? Ora, não sejamos tolos.
Isso seria esquecer de viver.
Porém,eu ainda iria existir. Isso as faria felizes, de qualquer forma. As pessoas, quero dizer.
E então, o que fazer?
Questão única, poderosa, definitiva. Única escolha, única aposta, dupla opção.
E claro, o medo de errar.
Não medo de morrer, nada disso. Morrer é indolor. É medo das coisas que ficam pra trás, das coisas que se pode perder.
Perder, perder, perder. Sempre com a doce ilusão de ganhar. Inútil esperança, inútil amor, inútil vida.
No final, tudo será rápido.
Fácil. Tranquilo.
E não haverá escolha. Apenas aceitação.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Foda-se o que você pensa e
Foda-se o que você fala
Essa é minha vida, minha cabeça, meu coração,
Eu comando, eu penso, eu sinto
E não importa o que falam, ou a minha maldita reputação
Isso é apenas sobre mim
E vou fazer o que quiser.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Chega. Eu não posso mais continuar. Não posso mais esconder minha saudade, segurar minhas lágrimas, exibir meu sorriso. Eu não quero mais fingir, buscar algo que não quero, ir além. Eu paro aqui, caio e me quebro em milhões de pedaços, em pedaços e cacos.
Pudera eu ter quem quero, ou melhor, ser quem quero.
Mandar tudo pro inferno e expôr minha opinião, mostrar que tenho ideias e ideais, e me livrar de toda essa hipocrisia e futilidade que me cerquei por puro medo de sofrer.
Me protegi, mas a troco de quê? Um copo de cerveja no bar? Uma noite de "alegria" ?
Game Over. Eu não quero mais me comportar assim.

"Oportunidade que eu diria rara de chamar seu nome e cuspir na cara. Então todos ao DIABO, antes que eu me esqueça."
(Matanza)
Um cigarro.
Um isqueiro.
Um copo de vodca.
Eu.
Uma roupa qualquer, um sorriso insincero, uma voz triste. Resumos de qualquer pessoa, qualquer situação. Um vestido dobrado, um jeans rasgado, palavras, palavras, palavras.
É o fim do mundo?
É o nosso fim?
Eu poderia mentir, ser uma ótima atriz, demonstrar felicidade. Eu poderia dizer que a vida é bela, que agradeço por viver mais um dia. Mas não vou. Eu não acho que a vida é bela, nem que tenho que agradecer por mais um dia. Realismo? Sim. Pessimismo? Talvez. O que importa é que apenas sobrevivo, dia após dia, independente das situações.
Aqui, minhas palavras ganham vida. Lá fora, são apenas palavras.

terça-feira, 30 de março de 2010

"I'll get by,I'll survive...When the world's crashing down,when I finally hit the ground,I won't turn myself around,don't you try to stop me.
I won't cry."


Ando sozinha na chuva, com os pensamentos avoados. O papel está molhado, a caneta está sem tinta, porém continuo escrevendo. O vazio me preenche, me mostra quem sou de verdade, tão sozinha e perdida. As gotas caem pesadamente sobre meu rosto, e eu sinto cada uma, sem a mínima vontade de me mover, de respirar, de viver. Fecho os olhos e sorrio, sorrio pela minha hipocrisia, pela minha total desgraça. O sorriso se torna um esgar, a mente volta pro lugar e sinto frio. Me encolho o máximo que posso, tão pequena e solitária (novamente).
Cinco horas. O bar abriu.

Hora de encher a cara novamente.
Aulas. Que útil distração. Os minutos passam devagar conforme penso e escrevo. Cada palavra surge inesperada, uma após a outra, passo a passo. Essa fase tem um fim. Aliás, tudo tem um fim, o ser humano que se ilude achando que tudo é pra sempre. Pobres imortais. Ah, o sonho, a ilusão! Como eram doces ao enganar, como eram sutis com os detalhes. Como era fácil aceitar essa falsa felicidade, fingir que tá tudo bem, quando por dentro você está gritando, tentando se libertar.
E os sorrisos que vem, as lágrimas que caem, nada faz você ter forças. E tudo o que você mais precisa se perde, tudo o que te faz feliz desaparece. E não importa o quanto você tente, você vai continuar sozinho, sobrevivendo, ou lutando por sobrevivência. E nunca, nunca com paz.