Quantas vezes dizemos a verdade
e morremos por causa disso?
sábado, 18 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Só queria destruir algo belo
"Tive vontade de meter uma bala no meio dos olhos do panda que não quisesse transar para salvar sua própria espécie e de cada baleia e golfinho que desistisse de lutar e encalhasse na praia. Queria abrir as válvulas de descarga dos super petroleiros e destampar os poços de petróleo em alto-mar, eu queira matar os peixes que não pudesse comer e acabar com todas aquelas praias francesas que eu nunca vou conhecer.
Desejei que todo mundo chegasse ao fundo, tive vontade de por fogo na floresta amazônica , queria injetar CFCs direto na camada de ozônio, Queria respirar fumaça. Tinha vontade de destruir algo belo."[Fight Club]
quinta-feira, 2 de junho de 2011
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Lembranças
Sinto tanta falta da dor... Era mais digna do que essa falta de sentimentos, esse vazio que eu tento preencher todos os dias e não consigo. Não lembro mais sequer como era sentir. O passado está mais distante do que deveria, está escapando da ponta de meus dedos, está indo embora. E tudo o que tenho agora são as lembranças, se eu perdê-las, o que sobrará?
Há restos de comida na sala, garrafas vazias e maços de cigarro amassados no quarto, camisinhas usadas no banheiro, e não consigo me lembrar de nada disso. Ou sentir algo, seja nojo, incompreensão, raiva, culpa. Dor. Ah, dor... Como pode me abandonar, quando apostei todas as minhas fichas em você? Você era tudo o que eu tinha! Agora me diga, o que vou fazer com todo esse vazio que me consome? Que utilidade isso terá? Diga-me agora, dê-me um pouco de esperança, porque a realidade também tirou-a de mim. Dê-me mentiras que valem a pena ser contadas e recontadas, dê-me um pouco de tristeza, de sentido, e covardia. Dê-me coragem para ser covarde. Volte para mim... Eu lhe imploro. Há tanta verdade no escrito, silenciada nas entrelinhas por não ter mais onde ficar. Dê-me algo para escrever de novo. Dê-me algo concreto, minha cara, porque eu quero voltar a sentir.
Há restos de comida na sala, garrafas vazias e maços de cigarro amassados no quarto, camisinhas usadas no banheiro, e não consigo me lembrar de nada disso. Ou sentir algo, seja nojo, incompreensão, raiva, culpa. Dor. Ah, dor... Como pode me abandonar, quando apostei todas as minhas fichas em você? Você era tudo o que eu tinha! Agora me diga, o que vou fazer com todo esse vazio que me consome? Que utilidade isso terá? Diga-me agora, dê-me um pouco de esperança, porque a realidade também tirou-a de mim. Dê-me mentiras que valem a pena ser contadas e recontadas, dê-me um pouco de tristeza, de sentido, e covardia. Dê-me coragem para ser covarde. Volte para mim... Eu lhe imploro. Há tanta verdade no escrito, silenciada nas entrelinhas por não ter mais onde ficar. Dê-me algo para escrever de novo. Dê-me algo concreto, minha cara, porque eu quero voltar a sentir.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
Ele se foi, e ela permitiu-se ser feliz. Buscou felicidade nos passos da dança, nas aventuras da literatura, na arte da escrita, nas ondas da música, sem nada encontrar. Dispensou segredos, aceitou bebidas, cigarros, filmes sem conta. Até tentou um ou dois namorados, mas ali não havia nada também. Decidiu, então, que o não fazer e a solidão eram a mais fina forma de felicidade, e assim seguiu.
Se nada faltava, por que esse sentimento indefinido a corroía?
Cansou-se de procurar respostas. A arma disparou no dia seguinte. A morte era a felicidade.
Se nada faltava, por que esse sentimento indefinido a corroía?
Cansou-se de procurar respostas. A arma disparou no dia seguinte. A morte era a felicidade.
domingo, 15 de maio de 2011
E por que eu deveria confiar em você, conversar com você? São dois estranhos vivendo numa casa, quatro paredes insuportaveis, uma jaula que parece diminuir a cada maldito dia que passa. Eu estou tentando tanto, é visível, mas e quanto a você? O que irá fazer a respeito disso? E dessa vez, eu falo sério. Estou cansada de não sentir nada, ou de sentir demais. Se essa história não tiver fim, o fim será nosso. Nós pereceremos. Não precisamos nos destruir... Basta de mortes e mortes e mortes, todos os dias, todas as horas. Mal conseguimos nos olhar, e arrependimento sincero não vai mudar a situação. Essa relação é nosso veneno, baby. Estragou-nos, acabou com quem éramos. E éramos tão bons! Não havia lutas invisíveis, havia somente a rotina, que era boa conosco. Havia somente a procura pela paz, não essa guerra interminável, em que ambos perdem. Não haverá vencedores.
Será que morremos no momento em que nos conhecemos? No maldito momento em que nos tocamos?
Será que estamos mortos, pesos na terra, enquanto outros querem viver?
Será que morremos no momento em que nos conhecemos? No maldito momento em que nos tocamos?
Será que estamos mortos, pesos na terra, enquanto outros querem viver?
domingo, 8 de maio de 2011
Imaginary
No meu campo de flores de papel
E doces nuvens de canções de ninar
E assisto meu céu roxo voar sobre mim
domingo, 1 de maio de 2011
Tratado sobre o certo e o errado
Não sou otimista. Sempre que alguma coisa está muito boa na minha vida, sempre que estou feliz, fico pensando no quão desesperador seria perder isso, e eu sempre perco. Cedo demais. Fui sincera desde o começo. E você, ignorando minha nobre atitude, só mentiu. Aceitei suas mentiras. Acolhi-as, como uma mãe acolhe um filho. Fingi não ver a guerra fria que estava bem diante de mim. Não fugi. Não chorei. Sequer pensei em maneiras de mudar minha situação. Me cedi a você. E o que recebi em troca? Um punhado de desapontamentos e cortes profundos em minha carne, em meu cerne. Eu fiz do seu jeito. E sei que vou continuar fazendo, independente do quanto eu me esforce para cortar meu coração em vários pedaços para que ele não se reconstrua, e não recorra à você.
Por que tem que me curar, todas as vezes? É prazeroso me destruir, de novo e de novo e de novo?
Ótimo, que façamos como você quer, então. Tenha seu prazer, me faça sentir dor, mas mate-me depois.
Temos um acordo?
Por que tem que me curar, todas as vezes? É prazeroso me destruir, de novo e de novo e de novo?
Ótimo, que façamos como você quer, então. Tenha seu prazer, me faça sentir dor, mas mate-me depois.
Temos um acordo?
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Não posso me desculpar. Estou apenas com um coração adoecido, uma mente enlouquecida e uma alma podre. Isso não significa que eu seja culpada. Podem me culpar por tal insanidade, mas não por meus erros. Gostaria tanto de ser como vocês... Mas eu me enganaria o tempo todo, e só o que vocês sabem fazer é mentir. Quem será o carrasco que me condenará por fugir de mentiras? Não posso fugir do que sinto, estes pensamentos suicidas estão entranhados em mim, solitários, vingativos, esperando o momento certo de agir. Sou uma fera ferida. Não posso simplesmente me ignorar, mas também não posso ignorar vocês, então, o que querem que eu faça? Já estou desistindo de tudo, estou desistindo da minha vida!
Qual será a próxima crueldade? Não podem mais me atingir. Já cheguei ao ápice dessa dor, que dilacera tudo por onde passa. Cérebro, nervos, coração... De que vale tudo isso? Qual será o fim de toda essa batalha épica que travamos há tantos anos?
Luto contra vocês ou contra mim? Corro de vocês ou corro de mim?
Ah, doce ilusão da inocência. Volte, e me traga a felicidade outra vez.
Qual será a próxima crueldade? Não podem mais me atingir. Já cheguei ao ápice dessa dor, que dilacera tudo por onde passa. Cérebro, nervos, coração... De que vale tudo isso? Qual será o fim de toda essa batalha épica que travamos há tantos anos?
Luto contra vocês ou contra mim? Corro de vocês ou corro de mim?
Ah, doce ilusão da inocência. Volte, e me traga a felicidade outra vez.
domingo, 24 de abril de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
Secret door
Você nunca sabe o que faz! Tem noção de como isso é estúpido? Fica só falando bobagens, um ator tão natural que chega a enojar. Acha que está tudo bem se só contar a verdade, tudo o que sempre lhe pedi, mas eu queria a verdade por completo, não uma verdade atuada. Porque você sabe, meu caro, que meias verdades são mentiras inteiras, e não estou aqui para ter isso. Estou aqui para acabar com você, para acabar comigo. Você se acha tão incrível, mas na verdade, é só um estúpido. Acredita mesmo que a sua realidade é assim tão diferente da minha? O cigarro é a única coisa que nos diferencia. Pode ser superior o quanto quiser, mas está em decadência, como eu. Pior, está em decadência sob influência, não consegue nem ser você mesmo, quando mais precisa. Não se iluda, eu não vou mais mentir para mim, eu sei o que sinto, e não vou esconder. Nunca escondi. E ódio não vai me alimentar, assim como amor não me alimentou. Eu quero paixão. Intensidade. Loucuras. Nada de tédio nos sábados, eu quero diversão. Dançar até me acabar. Ouvir todas as músicas que gosto como se fosse a primeira vez. Transar como se fosse a primeira vez. Mas eu sei o que faço.
Não se esconda mais, caro perdedor. Não sou sua carrasca. Não sou sua amiga. Sou sua insanidade.
Bem debaixo de seus nervos.
Quem vai se arrepender agora?
Não se esconda mais, caro perdedor. Não sou sua carrasca. Não sou sua amiga. Sou sua insanidade.
Bem debaixo de seus nervos.
Quem vai se arrepender agora?
Despedida
Tenho estado tão fraca, que mal suporto meu peso. Mal suporto minha mente. Está tudo perturbado, atormentado, sangrando, sem parar, como posso aguentar?
Então eu te sinto, do meu lado, embora eu tenha tomado todas as decisões erradas, todos os caminhos que me deixavam longe de você. Divide um cigarro comigo. Sorri aquele sorriso abençoado que nem mesmo os deuses conseguiriam imitar. Mas tem sido tão difícil entender que vou perder esse momentos, que vou perder você. Me abandono abandonando você, me deixo nua na esperança de que enxerguem que eu quero ficar aqui, do seu lado, ouvindo suas bobagens, brincando com o perigo, com você. Simplesmente me deixar levar. Ou levar você.
Desculpe se minhas palavras vieram tarde demais, mas eu não poderia fazer diferente. Precisava desse tempo, pra entender o quanto eu te amo, o quanto amo sua loucura. O quanto eu preciso de você. É sim, uma necessidade incondicional, da qual não me envergonho de admitir. Quantas vezes você me tirou do fundo do poço? Quantas vezes me colocou acima de você, para que eu não me afogasse nessas águas sujas?
Ah, minha querida. Eu morreria por você. Eu me mataria por você. Obrigada por devolver meu mundo. Obrigada por deixar-me fazer parte do seu.
Então eu te sinto, do meu lado, embora eu tenha tomado todas as decisões erradas, todos os caminhos que me deixavam longe de você. Divide um cigarro comigo. Sorri aquele sorriso abençoado que nem mesmo os deuses conseguiriam imitar. Mas tem sido tão difícil entender que vou perder esse momentos, que vou perder você. Me abandono abandonando você, me deixo nua na esperança de que enxerguem que eu quero ficar aqui, do seu lado, ouvindo suas bobagens, brincando com o perigo, com você. Simplesmente me deixar levar. Ou levar você.
Desculpe se minhas palavras vieram tarde demais, mas eu não poderia fazer diferente. Precisava desse tempo, pra entender o quanto eu te amo, o quanto amo sua loucura. O quanto eu preciso de você. É sim, uma necessidade incondicional, da qual não me envergonho de admitir. Quantas vezes você me tirou do fundo do poço? Quantas vezes me colocou acima de você, para que eu não me afogasse nessas águas sujas?
Ah, minha querida. Eu morreria por você. Eu me mataria por você. Obrigada por devolver meu mundo. Obrigada por deixar-me fazer parte do seu.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Eu cansei das falsas intenções
Então é sobre tudo isso que se resume? Você é apenas uma garota mimada, que está perdendo tudo. Better, jogando tudo fora. E você sabe por quê? Porque não sabe brincar com a comida, antes de comer. Não sabe blefar. Está se arriscando num jogo de poder em que sabe que vai perder, e mesmo assim joga. Não é auto-destruição, aquela coisa bela de morrer e blá blá blá, isso é estupidez. Só porque transformei no caos suas doces ilusões, não significa que eu não vá lhe dar novas mentiras, que eu não vá lhe enganar novamente. Porque acredite, na primeira oportunidade, eu vou. Matarei todos os seus sonhos, te deixarei tão vazia quanto um morto, te farei ver o valor do cérebro, de nervos e de coração pulsante, esse coração que você tanto maltrata, que tanto esmaga sem ele nada lhe ter feito. Eu vou te destruir, para que você possa se reconstruir de novo, e do jeito certo, dessa vez. E é melhor você mudar, minha cara, antes que fique sozinha. Não, não direi "antes que fique como eu", porque eu ainda tenho chances, ninguém precisará me matar. Eu consegui entender, sozinha.
E céus, eu te dei tudo o que pude, te dei todas as minhas lágrimas, depois todos os meus amigos, e então todo o sentimento que eu tinha, toda a diversão, todo o alcoolismo e toda a insanidade, e por que nunca foi suficiente? O que eu terei que te dar agora? O resto de minha vida? Só me diga, conte quais são suas intenções, e entraremos num acordo. Eu cederei. Te darei o que quiser. Irei para o purgatório por você, se precisar. Mas não me deixe em sombras. Não fique em sombras, porque eu preciso te enxergar. Preciso sentir sua força vital, preciso ver que você ainda está viva, e tentando. Não pare nunca. Porque, quando você parar, eu te matarei.
E céus, eu te dei tudo o que pude, te dei todas as minhas lágrimas, depois todos os meus amigos, e então todo o sentimento que eu tinha, toda a diversão, todo o alcoolismo e toda a insanidade, e por que nunca foi suficiente? O que eu terei que te dar agora? O resto de minha vida? Só me diga, conte quais são suas intenções, e entraremos num acordo. Eu cederei. Te darei o que quiser. Irei para o purgatório por você, se precisar. Mas não me deixe em sombras. Não fique em sombras, porque eu preciso te enxergar. Preciso sentir sua força vital, preciso ver que você ainda está viva, e tentando. Não pare nunca. Porque, quando você parar, eu te matarei.
domingo, 3 de abril de 2011
Das citações
Ainda que dentro de mim as águas apodreçam e se encham de lama e ventos ocasionais depositem peixes mortos pelas margens e todos os avisos se façam presentes nas asas das borboletas e nas folhas dos plátanos que devem estar perdendo folhas lá bem ao sul e ainda que você me sacuda e diga que me ama e que precisa de mim: ainda assim não sentirei o cheiro podre das águas e meus pés não se sujarão na lama e meus olhos não verão as carcaças entreabertas em vermes nas margens, ainda assim eu matarei as borboletas e cuspirei nas folhas amareladas dos plátanos e afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem me comove e que sua precisão de mim não passa de fome e que você me devoraria como eu devoraria você ah se ousássemos.
Caio Fernando Abreu.
Caio Fernando Abreu.
sábado, 2 de abril de 2011
Um cigarro, depois outro, e outro. São tantos que já perdi a conta. A cabeça dói, o pulmão implora pra parar, e eu continuo matando tudo aqui dentro, porque não vale a pena salvar nada. Não tenho mais sentimentos. Não sinto mais nada. Nem mesmo dor. Por que continuar, então?
A fome de viver anda tão grande que acho que nunca mais vou saciá-la. Todas as minhas escolhas me levaram à esse caminho, então não posso reclamar. Sequer me arrepender. Só o que posso fazer é sentir essa tontura gostosa que a nicotina me proporciona a cada tragada, a cada minuto mais próximo da minha morte, do meu inferno ou do meu paraíso. Quem sabe? Certamente, não eu, escritora de tantas histórias malditas, de tantos sentimentos falsos e de tantas visões mal-escolhidas. Posso me desconectar de tudo, mas o que eu vejo vai estar sempre na memória, esperando o momento de me atormentar, de me fazer escrever. Mas estou tão cansada de escrever. Tudo o que eu queria era me livrar desse vício, meu maior vício, pra poder ser normal. Fazer uma faculdade. Encontrar meu futuro marido em um dos corredores. Terminar meu curso. Casar. Ter uma casa cheia de plantas. Ter um filho aos 28. Mas eu nunca vou ter isso, porque a minha vida é escrever a vida dos outros. Quando, onde, isso teve algum sentido? Me sinto completa narrando, mas me sinto incompleta por não ser contada. Se é isso que chamam de destino, é uma merda. Destinos não deveriam existir. Destinos deveriam ser desculpas idiotas, ou cristãs, para simplesmente deixar tudo de lado, "deixar as coisas acontecerem". E sempre "acontece", porque eu nunca consigo mudar. Nunca consigo fazer minhas próprias escolhas, decidir o próximo passo. Estou sempre no escuro. Sempre fingindo que não estou me importando, mas tudo me atinge tão intensamente que não consigo suportar. Eu poderia mudar de planeta, e a droga desse tal destino me perseguiria. Provavelmente ele mesmo me mandaria para Marte,Vênus, Saturno. E eu continuaria escrevendo sobre os outros, e nunca sobre mim. E eu sempre me pergunto, as pessoas são fracas demais para escrever sobre si mesmas que precisam de mim, ou eu sou fraca demais para escrever minha própria história? Vivo o tempo todo de ficção, as pessoas são meus fantoches, meus personagens. Crio-as a partir de pensamentos insanos, me envolvo, abandono, parto pro próximo.
Mas, afinal, qual é a minha história?
A fome de viver anda tão grande que acho que nunca mais vou saciá-la. Todas as minhas escolhas me levaram à esse caminho, então não posso reclamar. Sequer me arrepender. Só o que posso fazer é sentir essa tontura gostosa que a nicotina me proporciona a cada tragada, a cada minuto mais próximo da minha morte, do meu inferno ou do meu paraíso. Quem sabe? Certamente, não eu, escritora de tantas histórias malditas, de tantos sentimentos falsos e de tantas visões mal-escolhidas. Posso me desconectar de tudo, mas o que eu vejo vai estar sempre na memória, esperando o momento de me atormentar, de me fazer escrever. Mas estou tão cansada de escrever. Tudo o que eu queria era me livrar desse vício, meu maior vício, pra poder ser normal. Fazer uma faculdade. Encontrar meu futuro marido em um dos corredores. Terminar meu curso. Casar. Ter uma casa cheia de plantas. Ter um filho aos 28. Mas eu nunca vou ter isso, porque a minha vida é escrever a vida dos outros. Quando, onde, isso teve algum sentido? Me sinto completa narrando, mas me sinto incompleta por não ser contada. Se é isso que chamam de destino, é uma merda. Destinos não deveriam existir. Destinos deveriam ser desculpas idiotas, ou cristãs, para simplesmente deixar tudo de lado, "deixar as coisas acontecerem". E sempre "acontece", porque eu nunca consigo mudar. Nunca consigo fazer minhas próprias escolhas, decidir o próximo passo. Estou sempre no escuro. Sempre fingindo que não estou me importando, mas tudo me atinge tão intensamente que não consigo suportar. Eu poderia mudar de planeta, e a droga desse tal destino me perseguiria. Provavelmente ele mesmo me mandaria para Marte,Vênus, Saturno. E eu continuaria escrevendo sobre os outros, e nunca sobre mim. E eu sempre me pergunto, as pessoas são fracas demais para escrever sobre si mesmas que precisam de mim, ou eu sou fraca demais para escrever minha própria história? Vivo o tempo todo de ficção, as pessoas são meus fantoches, meus personagens. Crio-as a partir de pensamentos insanos, me envolvo, abandono, parto pro próximo.
Mas, afinal, qual é a minha história?
domingo, 27 de março de 2011
Tardes de domingo
Somos dois malditos, presos um ao outro por correntes inquebráveis. Quando eu digo que te conheço melhor do que você mesmo, é verdade. Te conheço melhor do que a mim. E toda essa loucura em que nós vivemos, todos esses pequenos momentos de música, álcool e sexo só mostram que não há mais nada a fazer, é melhor desistir de ficar longe, porque nunca vamos conseguir. Fomos designados um ao outro. Por culpa de terceiros, estamos assim, ligados. Nenhum de nós tem o que quer, é por isso que temos um ao outro. Solidão. Necessidade. Compreensão. Nos enchemos de tesão, nos completamos, fazemos exatamente o que esperamos um do outro. Fazemos surpresas. Escondemos o que sentimos e pensamos às vezes. Gritamos verdades, nos matamos, choramos. É por isso que você me ama. Você precisa de mim.
sábado, 26 de março de 2011
Das súplicas
Esperando por mais um corte ou uma queda definitiva, apodreço nesse poço de lembranças, sonhos e mentiras, como uma criança mimada, uma doce solitária enclausurada em seu próprio inferno. Luto guerras que não são minhas, sinto dores que não me pertencem e corro atrás de sonhos que não são meus. A troco de que, meu Deus, fazes isso comigo? Qual pecado capital cometi para receber tamanho tormento, tamanho castigo?
Por que tenho que sentir tanto?
Deixe-me viver somente minha vida, querido carrasco, tire todas essas pessoas de dentro de mim. Pare de me esticar, de me testar ao máximo, de extrair cada gota de suor e de súplica do meu mais íntimo desespero. Deixe-me participar da vida sem estar dentro dela, deixe morrer em mim o desejo de morrer, deixe-me morrer.
Só lhe imploro, querido diabo, deixe-me ser,somente sendo.
Por que tenho que sentir tanto?
Deixe-me viver somente minha vida, querido carrasco, tire todas essas pessoas de dentro de mim. Pare de me esticar, de me testar ao máximo, de extrair cada gota de suor e de súplica do meu mais íntimo desespero. Deixe-me participar da vida sem estar dentro dela, deixe morrer em mim o desejo de morrer, deixe-me morrer.
Só lhe imploro, querido diabo, deixe-me ser,
sexta-feira, 25 de março de 2011
Um pequeno fato sobre a autora
Acho que sou bastante forte para sair de todas as situações em que entrei, embora tenha sido suficientemente fraca para entrar”
Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu
domingo, 20 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
Uma verdadezinha
Você não consegue matar sua fome. Nem bebida, nem comida, nem mesmo sexo preenchem o vazio, porque, por dentro... Você já morreu.
terça-feira, 15 de março de 2011
Me diga, por que mereço morrer? Os males foram grandes, é verdade, mas não foram tão exagerados. Nada que um pouco de sangue não resolva. E, claro, um pouco de dor.
Qual vai ser o tamanho do seu sacrifício?
Por que, caro carrasco, eu mereço mesmo morrer?
Qual a utilidade de tal morte?
É tanto ódio... Tão frágil, tão sensível. E enquanto você se passa por brinquedinho social, a matança começa, incontrolável, insaciável.
Vamos jogar pôquer com a morte?
E o que apostaremos? Nossas vidas e nossas almas são insignificantes demais, ela jamais aceitaria isso.
Dinheiro? Puft.
O que poderia ser então?
Ah.
É óbvio.
É aí que a dor entra.
Quanto sangue será necessário?
Oh, eu fiz tanta bagunça, eu sei! Desculpas não vão adiantar, não vão resolver o problema, não irá devolver ou purificar o seu sangue, mas não consigo evitar, minha boca tem vida própria, esqueceu-se de mim.
Então, acha que poderia tomar tamanha ousadia como coragem, e perdoar-me? Sei que me acha insana. Sei que tentei fugir de toda essa insanidade, sem conseguir nada mais do que doses extras de dor.
Então, agora você fugirá de mim? Tem que entender, tem que fazer isso, e agora, antes que seja tarde, antes que seja amaldiçoado também. Antes que morra por dentro.
Como eu.
Qual vai ser o tamanho do seu sacrifício?
Por que, caro carrasco, eu mereço mesmo morrer?
Qual a utilidade de tal morte?
É tanto ódio... Tão frágil, tão sensível. E enquanto você se passa por brinquedinho social, a matança começa, incontrolável, insaciável.
Vamos jogar pôquer com a morte?
E o que apostaremos? Nossas vidas e nossas almas são insignificantes demais, ela jamais aceitaria isso.
Dinheiro? Puft.
O que poderia ser então?
Ah.
É óbvio.
É aí que a dor entra.
Quanto sangue será necessário?
Oh, eu fiz tanta bagunça, eu sei! Desculpas não vão adiantar, não vão resolver o problema, não irá devolver ou purificar o seu sangue, mas não consigo evitar, minha boca tem vida própria, esqueceu-se de mim.
Então, acha que poderia tomar tamanha ousadia como coragem, e perdoar-me? Sei que me acha insana. Sei que tentei fugir de toda essa insanidade, sem conseguir nada mais do que doses extras de dor.
Então, agora você fugirá de mim? Tem que entender, tem que fazer isso, e agora, antes que seja tarde, antes que seja amaldiçoado também. Antes que morra por dentro.
Como eu.
domingo, 13 de março de 2011
"Eu quero chafurdar na dor desse ferro enfiado fundo na minha garganta seca que só umedece com vodca, me passa o cigarro, não, não estou desesperada, não mais do que sempre estive, nothing special, baby, não estou louca nem bêbada, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, ah não se preocupe, meu bem, depois que você sair tomo banho frio, leite quente com mel de eucalipto, ginseng e lexotan, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a banchá e arroz integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina e ligo para o CVV às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum pana qualquer choramingando coisas do tipo preciso-tanto-de-uma-razão-para-viver-e-sei-que-essa-razão só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá e me lamurio até o sol pintar atrás daqueles edifícios sinistros, mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma?”
(Caio Fernando Abreu)
sexta-feira, 11 de março de 2011
I like your smile, I like your vibe
Eu queria tanto que você entendesse... Queria tanto que aceitasse. Não há nada que eu possa fazer por isso, porque eu jamais aceitarei essa opinião barata, ultrapassada. No fundo, tenho mesmo orgulho do que sou, do que estou me tornando. E a verdade é que você não aceita minha personalidade, não aceita que eu tenha personalidade.
O que o futuro reserva para nós?
Sinceramente, acredita mesmo que eu ficaria parada no tempo, como todos? Que eu não usaria minhas idéias para seguir em frente, que eu não seria honesta o tempo todo, que eu jamais deixaria ninguém me conhecer?
Pobre pateta. Com todas essas idéias, você poderia ter nascido em outro planeta. Tão ridículo... Até eu, em meus adolescentes 17 anos, enxergo a besteira que está surgindo de todas essas conversinhas sem nexo.
De que adianta fugir? Vê, estou cortada, sangrando, e estou tão bem quanto você jamais estará um dia. É a certeza de que eu vou sim ter um futuro, uma vida, tudo o que eu quero, que faz seu ódio crescer, sua raiva, sua dor. Eu poderia colocar um universo de distância entre nós, que não seria suficiente. Mas estou tão cansada desses desabafos, tão cansada de nunca chegar a lugar nenhum, tão cansada de você, de todos vocês.
Se apenas tentassem parar de me mudar, se eu parasse de tentar me mudar...
São carrascos demais, ceifadores demais. Chega de tirar minha vida, caros senhores, e chega de me transformar em cópia de vocês.
O que o futuro reserva para nós?
Sinceramente, acredita mesmo que eu ficaria parada no tempo, como todos? Que eu não usaria minhas idéias para seguir em frente, que eu não seria honesta o tempo todo, que eu jamais deixaria ninguém me conhecer?
Pobre pateta. Com todas essas idéias, você poderia ter nascido em outro planeta. Tão ridículo... Até eu, em meus adolescentes 17 anos, enxergo a besteira que está surgindo de todas essas conversinhas sem nexo.
De que adianta fugir? Vê, estou cortada, sangrando, e estou tão bem quanto você jamais estará um dia. É a certeza de que eu vou sim ter um futuro, uma vida, tudo o que eu quero, que faz seu ódio crescer, sua raiva, sua dor. Eu poderia colocar um universo de distância entre nós, que não seria suficiente. Mas estou tão cansada desses desabafos, tão cansada de nunca chegar a lugar nenhum, tão cansada de você, de todos vocês.
Se apenas tentassem parar de me mudar, se eu parasse de tentar me mudar...
São carrascos demais, ceifadores demais. Chega de tirar minha vida, caros senhores, e chega de me transformar em cópia de vocês.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Where No One Knows
E você consegue tentar lutar tudo isso que você quer
Mas eu não estarei lá quando você estiver totalmente sozinho(a)
E essa nova estação traz consigo sinais de esperança
Você pode me deixar esperando no telefone
E eu sei que há
Algum lugar que eu posso ir
Onde, onde ninguém saiba meu nome
E eu continuo lembrando o som da sua voz
Embora todo o seu silêncio continue chamando tão claramente
Você acha que eu ligaria apenas para escutar seu suspiro?
Você sempre soube que apenas um mundo secaria todas as minhas lágrimas
E eu sei que há
Algum lugar que eu posso ir
Onde, onde ninguém saiba meu nome
Ninguém saiba meu nome
(Dallas Green)
segunda-feira, 7 de março de 2011
Um último pensamento
Tudo o que eu preciso está nesse pequeno vidro, aqui na minha mão. A minha tão desejada fuga, o meu mais intenso orgasmo, o meu maior amor, a minha mais louca paixão, a maior adrenalina,o exato ponto entre vida e morte. Mas o que eu queria, o que eu queria mesmo, não consegui encontrar.
Paz.
Por que ela não aparece nem mesmo no fim?
Uma pílula.
Mais uma.
O vidro acaba.
O que faço agora? Espero?
Como devo morrer? Deitada? em pé? De olhos fechados?
E a despedida, devo fazer uma?
Eu sinto muito. Fui fraca, e tola. Adeus.
Por que ela não aparece nem mesmo no fim?
Uma pílula.
Mais uma.
O vidro acaba.
O que faço agora? Espero?
Como devo morrer? Deitada? em pé? De olhos fechados?
E a despedida, devo fazer uma?
Eu sinto muito. Fui fraca, e tola. Adeus.
domingo, 6 de março de 2011
Tenho escutado seus gritos há tanto tempo... Não penso mais neles, acostumei-me, e assim tapei os ouvidos.
Por que tudo parece mais alto agora?
Há tanto para falar, mas ninguém para ouvir. Foi você que procurou isso, querido? Você que se jogou dentro desse abismo?
E depois de tanto tempo tomando coragem para me contar, eu desistisse de ouvir sua história? E se depois de meses a fio suportando a dor, você finalmente morresse?
Qual seria o preço da sua derrota?
Palpites, palpites. Damos os nossos como lances num leilão, esquecemos a sensatez como num jogo com cartas marcadas. E enquanto eu te enlouqueço com minhas perguntas, o apocalipse queima o mundo lá fora, apagando todas as memórias, todas as insanidades. Me pergunto se nossos corpos serão os últimos a perecer e nossas almas, as primeiras mandadas ao inferno. Mas, honestamente, faz diferença? Já nascemos condenados. Já sabemos o nosso destino. E o aceitamos.
Como porcos indo para o abate.
Por que tudo parece mais alto agora?
Há tanto para falar, mas ninguém para ouvir. Foi você que procurou isso, querido? Você que se jogou dentro desse abismo?
E depois de tanto tempo tomando coragem para me contar, eu desistisse de ouvir sua história? E se depois de meses a fio suportando a dor, você finalmente morresse?
Qual seria o preço da sua derrota?
Palpites, palpites. Damos os nossos como lances num leilão, esquecemos a sensatez como num jogo com cartas marcadas. E enquanto eu te enlouqueço com minhas perguntas, o apocalipse queima o mundo lá fora, apagando todas as memórias, todas as insanidades. Me pergunto se nossos corpos serão os últimos a perecer e nossas almas, as primeiras mandadas ao inferno. Mas, honestamente, faz diferença? Já nascemos condenados. Já sabemos o nosso destino. E o aceitamos.
Como porcos indo para o abate.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Pain game
Eu não tenho sido uma boa menina? Uma boa aluna? Tenho feito tudo o que mandastes e aprendido tudo o que ensinou. Te dei meu sangue de bom grado, junto com meu cérebro e meu coração. E nada pedi além de mais regras, de mais ordens.
Por que me abandonaste assim?
A morte me aguarda, querido, e vou para o inferno com toda a sujeira que você deixou. Que belo futuro... Com estes pulsos cortados e essa alma sangrenta, nada posso esperar além de dor, e desespero. Condenação eterna por um erro de poucos minutos.
Quanta insanidade! Quanta estupidez! Não importa o quando eu fuja da realidade, no fim, ela vai me alcançar, e então pagarei por todos os meus pecados, e todas as minhas bençãos serão banidas, ou pior, esquecidas. Não importa o quanto eu me esforce, vou continuar aqui parada, insegura, indecisa, esperando alguém me dizer o que fazer.
E você, sabe o que fazer?
Por que me abandonaste assim?
A morte me aguarda, querido, e vou para o inferno com toda a sujeira que você deixou. Que belo futuro... Com estes pulsos cortados e essa alma sangrenta, nada posso esperar além de dor, e desespero. Condenação eterna por um erro de poucos minutos.
Quanta insanidade! Quanta estupidez! Não importa o quando eu fuja da realidade, no fim, ela vai me alcançar, e então pagarei por todos os meus pecados, e todas as minhas bençãos serão banidas, ou pior, esquecidas. Não importa o quanto eu me esforce, vou continuar aqui parada, insegura, indecisa, esperando alguém me dizer o que fazer.
E você, sabe o que fazer?
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Thank you for the venom
Quer saber? Já chega. Chega de mentiras, elas estão me enlouquecendo há tempos. Chega desse jogo de poder que só desgasta, chega de você. Pode ficar com a minha vida, afinal, eu nunca fico muito tempo com as mesmas coisas, sempre enjôo fácil, assim como enjoei de você. Fique com tudo o que tenho... Sinto espasmos de excitação só de pensar que vou poder começar tudo de novo, conseguir coisas novas, mudar de fase.
E quanto a você, sweetheart, vai ficar aqui por quanto tempo?
Por quanto tempo sua vida vai estar no fundo do poço?
Recomeçar... RECOMEÇAR! Tem noção da beleza? Da adrenalina de poder fazer isso? É tão incrível que mal consigo encontrar palavras para descrever a sensação.
E são tantas.
Voar de novo, e dançar de novo, e sorrir de novo, e é tão bom desse jeito, tão melhor assim!
E você pode tentar, mas vai sempre mentir, sempre enganar... Então que todos vão para o inferno, e me deixem sozinha na terra, no meu inferno particular.
Porque é nele que tenho que recomeçar.
E quanto a você, sweetheart, vai ficar aqui por quanto tempo?
Por quanto tempo sua vida vai estar no fundo do poço?
Recomeçar... RECOMEÇAR! Tem noção da beleza? Da adrenalina de poder fazer isso? É tão incrível que mal consigo encontrar palavras para descrever a sensação.
E são tantas.
Voar de novo, e dançar de novo, e sorrir de novo, e é tão bom desse jeito, tão melhor assim!
E você pode tentar, mas vai sempre mentir, sempre enganar... Então que todos vão para o inferno, e me deixem sozinha na terra, no meu inferno particular.
Porque é nele que tenho que recomeçar.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Maldita dor de cabeça, que não me deixa pensar. Já me indicaram coca-cola, café, travesseiros, minha cama. Mas nada disso vai resolver, é como se uma mão estivesse me prendendo, me sufocando.
Não é irônico a cabeça só demonstrar de vez em quando o que sente o tempo todo?
Talvez não. Banal, sim, mas não irônico. E todas essas viagens, boas ou más, acabam cansando, sempre. São tantos horrores ao redor, tantas opções para acabar com isso, tantas opções para acabar com si mesmo. Acha que é fácil ter tanta lucidez? Acha que suporto toda essa minha ousadia, toda essa coragem de mostrar o que penso? Em momento algum foi fácil, então por que diabos não desisto de uma vez?
Você prometeu, você me disse, você disse para todos.
Droga de erros estúpidos! Droga de sentimentalismo barato, vendido aos potes em todos os lugares, droga de pessoas que não sabem nunca o que querem. Droga de mundo. Droga.
Não é irônico a cabeça só demonstrar de vez em quando o que sente o tempo todo?
Talvez não. Banal, sim, mas não irônico. E todas essas viagens, boas ou más, acabam cansando, sempre. São tantos horrores ao redor, tantas opções para acabar com isso, tantas opções para acabar com si mesmo. Acha que é fácil ter tanta lucidez? Acha que suporto toda essa minha ousadia, toda essa coragem de mostrar o que penso? Em momento algum foi fácil, então por que diabos não desisto de uma vez?
Você prometeu, você me disse, você disse para todos.
Droga de erros estúpidos! Droga de sentimentalismo barato, vendido aos potes em todos os lugares, droga de pessoas que não sabem nunca o que querem. Droga de mundo. Droga.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
'Cause I tried, but... I lied
OUTRA MENTIRA! Quando diabos você vai se cansar de mentir? Quando vai parar de se enganar, de ter essa auto-piedade maldita que só te afasta de todo mundo? Quando vai aprender?
Talvez todos tenham razão, e eu é que tenho que aprender. A não me importar. A deixar você se cortar. Mas é tão impossível. Minha mente dói só de pensar em ver qualquer parte sua ferida. Mas uma hora esse sentimentalismo vai cansar, vai todo mundo se foder e vamos nos casar com quem der. Se der.
Talvez todos tenham razão, e eu é que tenho que aprender. A não me importar. A deixar você se cortar. Mas é tão impossível. Minha mente dói só de pensar em ver qualquer parte sua ferida. Mas uma hora esse sentimentalismo vai cansar, vai todo mundo se foder e vamos nos casar com quem der. Se der.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Existe um limite, embora tênue, entre a sensatez e a insanidade. E, insensivelmente ultrapassamos essa linha hoje.
Quebrado. Alterado. Usamos corpos como desculpas para nossos erros, nos deixamos levar por problemas que não nos condiz.
Então, você quer que eu use você?
Pobre babaca insensível, pobre solitário suicida. Você não entende... Não posso ficar igual àqueles que desprezo, isso me mataria. E você sabe que pequenas ações são o que faz o meu coração bater
O que você oferece é grande demais.
Pesado demais.
Quem gostaria de ter essa responsabilidade?
Se mal suporto a minha liberdade, como pode esperar que eu aguente a sua também? Se mal suporto ser quem sou, como espera que eu aguente ser alguém pra você?
Não espere nada de mim, não corte-se à toa.
Tudo está tão vazio em mim.
Não há nada para oferecer-te, além de sangue.
E meu sangue é tão sujo, querido. Uma mancha podre. Um vírus, que ninguém mais deve tocar.
Por que diabos não acredita em mim?
Ah, meu querido. Um dia, verás quão carrasca eu sou.
Quebrado. Alterado. Usamos corpos como desculpas para nossos erros, nos deixamos levar por problemas que não nos condiz.
Então, você quer que eu use você?
Pobre babaca insensível, pobre solitário suicida. Você não entende... Não posso ficar igual àqueles que desprezo, isso me mataria. E você sabe que pequenas ações são o que faz o meu coração bater
O que você oferece é grande demais.
Pesado demais.
Quem gostaria de ter essa responsabilidade?
Se mal suporto a minha liberdade, como pode esperar que eu aguente a sua também? Se mal suporto ser quem sou, como espera que eu aguente ser alguém pra você?
Não espere nada de mim, não corte-se à toa.
Tudo está tão vazio em mim.
Não há nada para oferecer-te, além de sangue.
E meu sangue é tão sujo, querido. Uma mancha podre. Um vírus, que ninguém mais deve tocar.
Por que diabos não acredita em mim?
Ah, meu querido. Um dia, verás quão carrasca eu sou.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Cause soulmates never die
Pensei em escrever ficção, mas a realidade estava implorando demais para ser escrita.
Então, como começar o que você já destruiu?
Pois bem. Se o escrito a seguir será real, que comecemos logo, assim como a vida começa, sem mais nem menos. Diga-me, o que sente quando usa aquilo que você despreza e que te ama? Você mal tem 19 anos, e já tem sonhos de idiota. Esqueceu-se de si mesmo.
Era isso que você queria quando entrou de cabeça nesse suicídio?
Nada do que disser, ou fizer, vai cicatrizar os cortes de agora. Você diz que só se fode como se isso fosse a coisa mais legal do mundo, como se ficar mal fosse incrível. Mas não é. Porque você não está mal, está fazendo com que as pessoas fiquem mal por você.
É fácil se prender em promessas vazias quando a realidade bate à sua porta. É fácil fechar seus doces olhinhos verdes para tudo, mergulhar dentro de si, morrer de paixão, morrer por uma mentira. Porque tudo o que você viveu até agora foi uma mentira. Mesmo os seus sentimentos não são claros, límpidos.
Por que não assume logo o que quer? Por que não diz o que pretende? Solte uma verdade ao menos uma vez, diga realmente o que está pensando. Tire a venda de seus olhos.
Olha ao redor.
O que você vê?
Não há tanta dor, coração. São só suas mentiras ruindo.
Então, como começar o que você já destruiu?
Pois bem. Se o escrito a seguir será real, que comecemos logo, assim como a vida começa, sem mais nem menos. Diga-me, o que sente quando usa aquilo que você despreza e que te ama? Você mal tem 19 anos, e já tem sonhos de idiota. Esqueceu-se de si mesmo.
Era isso que você queria quando entrou de cabeça nesse suicídio?
Nada do que disser, ou fizer, vai cicatrizar os cortes de agora. Você diz que só se fode como se isso fosse a coisa mais legal do mundo, como se ficar mal fosse incrível. Mas não é. Porque você não está mal, está fazendo com que as pessoas fiquem mal por você.
É fácil se prender em promessas vazias quando a realidade bate à sua porta. É fácil fechar seus doces olhinhos verdes para tudo, mergulhar dentro de si, morrer de paixão, morrer por uma mentira. Porque tudo o que você viveu até agora foi uma mentira. Mesmo os seus sentimentos não são claros, límpidos.
Por que não assume logo o que quer? Por que não diz o que pretende? Solte uma verdade ao menos uma vez, diga realmente o que está pensando. Tire a venda de seus olhos.
Olha ao redor.
O que você vê?
Não há tanta dor, coração. São só suas mentiras ruindo.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Pólos opostos
Estou aceitando doações de idéias, bem como doações de bebidas alcoólicas. Estou procurando um pulsar por aí, algo mais que um simples sussurro, sem nada encontrar.
Mas afinal, o que é voltar para casa todos os dias de mãos vazias?
Continuem me prendendo, agora tanto faz; a minha maior prisão é as palavras. Estou presa à elas há tanto tempo... Grades sólidas não são grande coisa, então.
Tão jovem, e tão morta. Tão jovem, e tão viva.
Onde diabos foram parar os meio-termos?
Dê-me tudo, ou então, não me dê nada. Porque não consigo me conformar com pouco, ou com uma parte do quero. Quero tudo sim, ou então, não quero nada. Só vazio.
Quando querer apenas o que se tem agora, é pedir demais?
Devolva-me minha vida por completo, caro carrasco, ou tire-a de uma vez.
Mas afinal, o que é voltar para casa todos os dias de mãos vazias?
Continuem me prendendo, agora tanto faz; a minha maior prisão é as palavras. Estou presa à elas há tanto tempo... Grades sólidas não são grande coisa, então.
Tão jovem, e tão morta. Tão jovem, e tão viva.
Onde diabos foram parar os meio-termos?
Dê-me tudo, ou então, não me dê nada. Porque não consigo me conformar com pouco, ou com uma parte do quero. Quero tudo sim, ou então, não quero nada. Só vazio.
Quando querer apenas o que se tem agora, é pedir demais?
Devolva-me minha vida por completo, caro carrasco, ou tire-a de uma vez.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
Perfeição
Eu queria que as pessoas vissem o que é perfeito de verdade. Queria que elas dessem um novo conceito à palavra.
A dor é perfeita. Você sente ela mesmo quando não quer, ela não te deixa, está do seu lado o tempo todo.
O ódio é perfeito. Ele te faz agir impulsivamente, te faz matar, te faz morrer.
A morte é perfeita. Ela acaba com todos os seus tormentos, te liberta de todas as suas maldições, te todos os seus pensamentos sufocantes, de toda a sua agonia.
A agonia, a propósito, também é perfeita. Ela te exaure completamente, te faz sentir até o último, não te dá descanso, é como um orgasmo duradouro. Um abismo que te leva direto para o fim. E fins são sempre perfeitos.
A dor é perfeita. Você sente ela mesmo quando não quer, ela não te deixa, está do seu lado o tempo todo.
O ódio é perfeito. Ele te faz agir impulsivamente, te faz matar, te faz morrer.
A morte é perfeita. Ela acaba com todos os seus tormentos, te liberta de todas as suas maldições, te todos os seus pensamentos sufocantes, de toda a sua agonia.
A agonia, a propósito, também é perfeita. Ela te exaure completamente, te faz sentir até o último, não te dá descanso, é como um orgasmo duradouro. Um abismo que te leva direto para o fim. E fins são sempre perfeitos.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Pertences
É incrível como algumas coisas parecem ser suas desde sempre. A mim, por exemplo, sempre pertenceu a dor. Desde o começo, ela esteve de mãos dadas comigo, como uma amiga, uma doce irmã. A outros, pertencem pessoas, rostos, vozes. Emoções distintas. Amor incondicional.
Como isso soa falso...Como algo de fora pode ser tão meu, se nem eu mesma sou minha? Como posso doar-me para alguém, se não me entrego nem mesmo aos meus desejos?
Fugimos tanto de coisas que achamos que é errado, sem saber que a única coisa errada é fugir. Mas meus pés já sangram demais, e não posso mais correr.
Hora de encarar a realidade.
Quanta coisa, quantos problemas.
Uma dose generosa me cairia bem!
Primeiro, vai-se a melancolia.
Depois, a lucidez.
E então... Nada.
Como isso soa falso...Como algo de fora pode ser tão meu, se nem eu mesma sou minha? Como posso doar-me para alguém, se não me entrego nem mesmo aos meus desejos?
Fugimos tanto de coisas que achamos que é errado, sem saber que a única coisa errada é fugir. Mas meus pés já sangram demais, e não posso mais correr.
Hora de encarar a realidade.
Quanta coisa, quantos problemas.
Uma dose generosa me cairia bem!
Primeiro, vai-se a melancolia.
Depois, a lucidez.
E então... Nada.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Você quer certezas? Pois então eu te dou milhares. Eu nunca vou deixar de te amar, e de me odiar. Eu te aproximo da minha vida, e me afasto de mim mesma cada vez mais. Eu enlouqueço quando você me olha. Me excito com o seu toque. Sinto ânsia de ficar perto de você. Quero morrer quando está longe, ou quando me ignora, ou quando me lembra quão usada eu sou. E, pra completar as certezas que você tanto quer, saiba de uma coisa, meu bem: eu ainda preciso da porra da dor e do pedaço de morte que você, e só você, sabe me proporcionar.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Um pequeno diálogo
- Fala.
- Não.
- Fala!
- Mas você já sabe.
- Não, eu não sei. O que é?
- Você me deixa louco.
- Por quê?
- Porque você sabe. Só você sabe.
- Então por que foge tanto?
- Porque eu te quero tanto, que se eu te tiver, tenho medo de não querer mais nada.
- Não.
- Fala!
- Mas você já sabe.
- Não, eu não sei. O que é?
- Você me deixa louco.
- Por quê?
- Porque você sabe. Só você sabe.
- Então por que foge tanto?
- Porque eu te quero tanto, que se eu te tiver, tenho medo de não querer mais nada.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Aos meus queridos, com amor
Estou tão cansada de receber suas mentiras bem em cima de mim, como se fossem murros a esmagar minha carne. Tão cansada dessa falsidade e dessa ironia... Insensivelmente você mostra suas asas, e esconde os seus chifres. Pobre anjo caído, eu não quero mais te ouvir, eu não vou mais sentir-te aqui. Vou para longe, não quero ser encontrada, e não pretendo voltar.
Não rezes, não peça de volta o que você nunca teve. Não orgulhe-se do que você nunca viu ou nunca soube, não diga que ama aquilo que não existe. Não desconfie de estranhos. Não se inspire na dor. Há tanta coisa que você ainda não sabe... Tanta coisa que não entende. Essas palavras, por exemplo. Posso jogá-las, cuspi-las em cima de ti, que não notarás absolutamente nada. Tomará o seu café, como sempre, depois sairá e voltará apenas no outro dia, e me encontrarás, como sempre, empapada em meu próprio sangue. E por mais suja, por mais libertina e por mais anarquista que eu seja, não mereço morrer assim, sufocada dentro de mim mesma, presa nessa liberdade que me mata todos os malditos dias. Já não importa mais quem está do meu lado, porque me sinto como um fantasma em uma noite escura, sem ter onde me esconder de todos os olhares acusadores que as pessoas de bons costumes e caráter inegável lançam a mim. E, nas poucas vezes que devolvo os olhares, sinto nojo, porque estou ficando igual à você. Mesmo os traços da expressão já são parecidas. Mas tudo o que quero é o passado de volta, a minha inocência e minha tão amada verdade de volta. Não minta mais, não me use mais... Eu não vou suportar.
Não rezes, não peça de volta o que você nunca teve. Não orgulhe-se do que você nunca viu ou nunca soube, não diga que ama aquilo que não existe. Não desconfie de estranhos. Não se inspire na dor. Há tanta coisa que você ainda não sabe... Tanta coisa que não entende. Essas palavras, por exemplo. Posso jogá-las, cuspi-las em cima de ti, que não notarás absolutamente nada. Tomará o seu café, como sempre, depois sairá e voltará apenas no outro dia, e me encontrarás, como sempre, empapada em meu próprio sangue. E por mais suja, por mais libertina e por mais anarquista que eu seja, não mereço morrer assim, sufocada dentro de mim mesma, presa nessa liberdade que me mata todos os malditos dias. Já não importa mais quem está do meu lado, porque me sinto como um fantasma em uma noite escura, sem ter onde me esconder de todos os olhares acusadores que as pessoas de bons costumes e caráter inegável lançam a mim. E, nas poucas vezes que devolvo os olhares, sinto nojo, porque estou ficando igual à você. Mesmo os traços da expressão já são parecidas. Mas tudo o que quero é o passado de volta, a minha inocência e minha tão amada verdade de volta. Não minta mais, não me use mais... Eu não vou suportar.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
I'm ready. I'm... fine
Os sentimentos estão aqui, a vontade está aqui, mas as idéias, não.
Como expressar-me, então?
Foda-se, como já ficou provado, ter opinião é pecado capital. Pior do que matar, é dizeres o que pensas, o que sentes. Cansei desses pólos tão opostos, tão extremos. Quero ficar no meio termo. Chega de usar, chegar de ser usada; chega de amigos que só mostram o lado belo das coisas, quando eu só sou horror. Não quero que me perdoe, quero apenas que me compreenda. Não posso mais fingir que estou bem, como todos vocês, que sou como vocês, porque eu não sou. Dói pensar, admitir, mas a mentira nunca me foi preferível. Preciso reaprender a respirar sozinha, a dar valor ao não-estilo, a ser mais indiferente, a amar direito. Eu não quero, e nem vou ser igual à vocês, e eu não tenho o direito de cobrar isso de mim mesma. Não é justo... Por que eu tenho que escolher um caminho só e perseguir ele até o fim, sem sequer espiar os outros? E por que tenho que estar acompanhada quando quero ficar sozinha, e sozinha quando quero ter alguém?
Eu não vou me desculpar por viver... Não vou seguir vocês como uma cabra segue fielmente seu pastor, eu não suportaria esquecer-me de mim. E não quero ser seguida, tampouco. Mudo de caminho e de idéia rápido demais para que qualquer um me acompanhe, e não diga que pode seguir o ritmo, porque não pode. Nem eu mesma consigo seguir o ritmo de minhas vontades. Não fique acusando todos os meus defeitos, eu sou a minha maior carrasca, e me castigo como ninguém. Ninguém me despreza mais do que eu, então não diga bobagens, não me admire, não me siga, não me odeie. Só fique longe, muito longe, até eu sentir falta.
Eu não vou sentir falta.
Como expressar-me, então?
Foda-se, como já ficou provado, ter opinião é pecado capital. Pior do que matar, é dizeres o que pensas, o que sentes. Cansei desses pólos tão opostos, tão extremos. Quero ficar no meio termo. Chega de usar, chegar de ser usada; chega de amigos que só mostram o lado belo das coisas, quando eu só sou horror. Não quero que me perdoe, quero apenas que me compreenda. Não posso mais fingir que estou bem, como todos vocês, que sou como vocês, porque eu não sou. Dói pensar, admitir, mas a mentira nunca me foi preferível. Preciso reaprender a respirar sozinha, a dar valor ao não-estilo, a ser mais indiferente, a amar direito. Eu não quero, e nem vou ser igual à vocês, e eu não tenho o direito de cobrar isso de mim mesma. Não é justo... Por que eu tenho que escolher um caminho só e perseguir ele até o fim, sem sequer espiar os outros? E por que tenho que estar acompanhada quando quero ficar sozinha, e sozinha quando quero ter alguém?
Eu não vou me desculpar por viver... Não vou seguir vocês como uma cabra segue fielmente seu pastor, eu não suportaria esquecer-me de mim. E não quero ser seguida, tampouco. Mudo de caminho e de idéia rápido demais para que qualquer um me acompanhe, e não diga que pode seguir o ritmo, porque não pode. Nem eu mesma consigo seguir o ritmo de minhas vontades. Não fique acusando todos os meus defeitos, eu sou a minha maior carrasca, e me castigo como ninguém. Ninguém me despreza mais do que eu, então não diga bobagens, não me admire, não me siga, não me odeie. Só fique longe, muito longe, até eu sentir falta.
Eu não vou sentir falta.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Aprendendo. E aprendendo, aprendendo...
Passo tanto tempo como observadora que esqueço que eu também posso ser observada. Não que isso vá acontecer. É apenas uma observação. Vejo as pessoas viverem suas vidas, o mais pobre do bairro conseguir alimentar seu filho e se sentir em paz, o mais rico internar sua filha com problemas de álcool e se sentir desesperado. Ouço as conversas berradas ao celular, desabafos no meio da rua para desconhecidos, mendigos pedindo esmola, vendedores vendendo até o corpo. Ouço e vejo tudo, sem interferir na história, sem alterar seu significado. Sou apenas sua mui humilde contadora, apenas uma sombra no meio de tanta luz.
Mas não dá pra ficar assim o resto da vida... Quero ser a causa mortis, quero me meter em um monte de problemas, amar desesperadamente por dois minutos inesquecíveis, e depois nem lembrar-me de como isso aconteceu. Quero misturar-me na multidão e fazer parte de suas vidas, quero ter a minha vida, quero ter luz. Porque a sombra, a sombra some quando a luz acaba, vira fantasia no meio do nada, desaparece ao entardecer. E eu, caros senhores desta corte, não desapareço, continuo observando, de longe, todos os passos, todas as falas, todos os olhares, criando minhas histórias, montando meus casais, fazendo minhas intrigas. Continuo invisível, fraca... Equipada apenas com um coração quebrado e uma mente ágil e perigosa, sustentada por fantasmas e um passado que destrói sempre que volta ao presente. E ele sempre volta.
Bem, o de todos voltam.
Então, diga-me, qual é a sua história? Grite, vamos lá, sou sua ouvinte, a mais atenta de todas, a mais parcial, a mais fiel. Conte-me tudo, e eu contarei a todos, do meu jeito, do meu olhar.
Está pronto para se arriscar?
Mas não dá pra ficar assim o resto da vida... Quero ser a causa mortis, quero me meter em um monte de problemas, amar desesperadamente por dois minutos inesquecíveis, e depois nem lembrar-me de como isso aconteceu. Quero misturar-me na multidão e fazer parte de suas vidas, quero ter a minha vida, quero ter luz. Porque a sombra, a sombra some quando a luz acaba, vira fantasia no meio do nada, desaparece ao entardecer. E eu, caros senhores desta corte, não desapareço, continuo observando, de longe, todos os passos, todas as falas, todos os olhares, criando minhas histórias, montando meus casais, fazendo minhas intrigas. Continuo invisível, fraca... Equipada apenas com um coração quebrado e uma mente ágil e perigosa, sustentada por fantasmas e um passado que destrói sempre que volta ao presente. E ele sempre volta.
Bem, o de todos voltam.
Então, diga-me, qual é a sua história? Grite, vamos lá, sou sua ouvinte, a mais atenta de todas, a mais parcial, a mais fiel. Conte-me tudo, e eu contarei a todos, do meu jeito, do meu olhar.
Está pronto para se arriscar?
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Desert Song
Bem depois de tudo, nos mentiremos outro dia, e apesar de tudo, nós acharemos algum outro modo para continuar através de cartilagem e fluído. E você veio para olhar, ou lavar o sangue?
Bem hoje à noite chegará algum dia? você fica gastando o resto de seus dias balançando só para o morto, enquanto eu posso te ver acordado qualquer hora em minha cabeça.
Então todos nós caímos?
Das luzes para o pavimento, da van para o chão, dos bastidores para o médico, e da Terra para o necrotério... Bem, todos caem, no final de tudo
domingo, 9 de janeiro de 2011
Uma mancha que nunca sai do lençol
Que vontade de te ter aqui de novo... sentir seu peso morno em cima de mim, ouvir as batidas do seu coração, te olhar até cansar, sentir o cheiro da sua pele, te tocar, ser tocada por você. Que vontade de ouvir você falar bobagens, e te beijar só pra você calar a boca, e rir depois. Que vontade de poder dizer "eu te amo" bem perto do seu ouvido, e de pensar na dor que vai vir depois, quando eu sei que não ouvir isso de você. Que vontade de te apertar inteiro, te morder inteiro, de mover montanhas por você.
Mas no fundo eu sei, eu sei querido, que eu quero a dor que me causas o tempo todo. A dor que me causa quando me despreza, é o que faz com que eu busque você. A dor que eu sinto quando te vejo com outras é o que me faz querer ser a única. Como é bom ser odiada por você, meu amor. Como é bom eu me odiar por você.
E então eu busco mais, e mais, e mais. Chego ao ápice, enquanto você só observa. Sente seu poder. Aproveita-o. Joga-o em mim. Faz de mim o que quer, e eu quero que você mande tudo. Preciso cada dia mais da dor que você me proporciona, preciso cada vez mais dessa agonia gigantesca que me consome quando estamos juntos. E preciso do medo, de te perder, e de ter você. Me dê toda a dor do mundo... Me faça querer nunca ter nascido, me faça querer morrer sucessivamente, por dias e dias, não deixe o efeito passar.
Então, consegue ver o quanto eu amo você?
Mas no fundo eu sei, eu sei querido, que eu quero a dor que me causas o tempo todo. A dor que me causa quando me despreza, é o que faz com que eu busque você. A dor que eu sinto quando te vejo com outras é o que me faz querer ser a única. Como é bom ser odiada por você, meu amor. Como é bom eu me odiar por você.
E então eu busco mais, e mais, e mais. Chego ao ápice, enquanto você só observa. Sente seu poder. Aproveita-o. Joga-o em mim. Faz de mim o que quer, e eu quero que você mande tudo. Preciso cada dia mais da dor que você me proporciona, preciso cada vez mais dessa agonia gigantesca que me consome quando estamos juntos. E preciso do medo, de te perder, e de ter você. Me dê toda a dor do mundo... Me faça querer nunca ter nascido, me faça querer morrer sucessivamente, por dias e dias, não deixe o efeito passar.
Então, consegue ver o quanto eu amo você?
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
E então, o dia finalmente chega! A marcha nupcial começa a tocar, mas para ele, era uma marcha fúnebre. Ela entra, deslumbrante em um vestido branco de cetim, e sorri pra todos, com indulgência. Ele, a máscara da morte, também sorri, de ódio. Ela olha para frente, para ele. Manipuladora. Vingativa. Enquanto todos dormiam, ela, somente ela, conseguira vencer, enganar a todos. E ele, tão solitário em sua dor, não percebera tal fato. E, tampouco, não viria alguma bela heroína salvá-lo, aquilo não era um conto de fadas, era o fim da sua vida, era real.
E todos se perguntavam, por quê? O que buscas, jovem rapaz, traçando caminho direto à dor? O que esperas com seu sacrifício?
Diga, diga em voz alta, grite, solte seus pulmões.
Se ao menos todos soubessem, se ao menos ele próprio soubesse... Poderia atirar-se de uma vez naquele penhasco. Mas o penhasco dentro de si próprio era profundo demais, e não havia como sair dele para mergulhar em outro. Paranóia. Era o placebo de novo, piorando tudo, tornando as coisas mais intensas do que o normal. Espreitava paredes à procura de coisas que não existiam, corria contra o tempo, sem saber porque estava com tanta pressa. Fugia de vozes que eram mudas à todos os outros, sangrava cortes que não estavam abertos. Hemorragia interna, é o que diziam. Ela dizia que era loucura. Ele dizia que eram sonhos.
E todos se perguntavam, por quê? O que buscas, jovem rapaz, traçando caminho direto à dor? O que esperas com seu sacrifício?
Diga, diga em voz alta, grite, solte seus pulmões.
Se ao menos todos soubessem, se ao menos ele próprio soubesse... Poderia atirar-se de uma vez naquele penhasco. Mas o penhasco dentro de si próprio era profundo demais, e não havia como sair dele para mergulhar em outro. Paranóia. Era o placebo de novo, piorando tudo, tornando as coisas mais intensas do que o normal. Espreitava paredes à procura de coisas que não existiam, corria contra o tempo, sem saber porque estava com tanta pressa. Fugia de vozes que eram mudas à todos os outros, sangrava cortes que não estavam abertos. Hemorragia interna, é o que diziam. Ela dizia que era loucura. Ele dizia que eram sonhos.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Eleven
Queria chegar a lugar nenhum, me afogar nos braços de ninguém, e me preencher de nada. Queria dormir no limbo, sussurrar para surdos, mostrar-me para cegos. Queria fazer uma lobotomia e tirar todos os meus sentidos, queria não ter coração, queria não ter corpo. Queria olhar ao redor e ver mais do que essa maldita hipocrisia.
Mas não há nada além dessa hipocrisia.
Então, o que ainda estou esperando?
Tenho a arma.
Tenho as balas.
Tenho a coragem.
Por que ainda estou aqui?
O pensar, o pensar me enlouquece. Não consigo suportar a ideia de ficar longe dos meus pensamentos, das minhas ideias. Não aguento pensar em não pensar. Preciso pensar, pensar me faz respirar, pensar me alimenta. Preciso de ideias, preciso ter certeza que elas existem, preciso delas aqui.
Se ao menos eu tivesse a certeza que elas não me abandonariam, se eu apenas soubesse.
"Pequena covarde, pequena covarde, você foge do seu destino, você foge da sua paz, hahahaha"
Inferno maldito, eu não consigo suportar, eu preciso de ar, eu preciso não me salvar. Preciso queimar meu cérebro, derretê-lo, fazê-lo sentir um pouco do horror que ele me faz sentir o tempo todo. Quero-o morto, dilacerado, espalhado pelo chão.
Depois, quero cada nervo fora de mim, e longe, para não cair na tentação. Não quero movimentar-me, as ideias não precisam de movimentos, apenas existem, como um todo baseado no nada.
E agora, eu posso ter o meu nada?
Mas não há nada além dessa hipocrisia.
Então, o que ainda estou esperando?
Tenho a arma.
Tenho as balas.
Tenho a coragem.
Por que ainda estou aqui?
O pensar, o pensar me enlouquece. Não consigo suportar a ideia de ficar longe dos meus pensamentos, das minhas ideias. Não aguento pensar em não pensar. Preciso pensar, pensar me faz respirar, pensar me alimenta. Preciso de ideias, preciso ter certeza que elas existem, preciso delas aqui.
Se ao menos eu tivesse a certeza que elas não me abandonariam, se eu apenas soubesse.
"Pequena covarde, pequena covarde, você foge do seu destino, você foge da sua paz, hahahaha"
Inferno maldito, eu não consigo suportar, eu preciso de ar, eu preciso não me salvar. Preciso queimar meu cérebro, derretê-lo, fazê-lo sentir um pouco do horror que ele me faz sentir o tempo todo. Quero-o morto, dilacerado, espalhado pelo chão.
Depois, quero cada nervo fora de mim, e longe, para não cair na tentação. Não quero movimentar-me, as ideias não precisam de movimentos, apenas existem, como um todo baseado no nada.
E agora, eu posso ter o meu nada?
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
... And did it my way
E então eu encaro a cortina final , ha ha ha
Sua buçetuda, eu não sou um viado
Eu explicarei minha causa, do qual eu estou certo
Eu vivi uma vida que foi cheia
E cada e toda estrada
E ainda, e muito mais do que isso
Eu fiz do meu jeito
E sim, eu tenho tido um pouco
Mas então de novo, muito pouco para mencionar
Mas descubra, o que eu tenho de fazer
Eu vi tudo até o fim sem nenhuma devoção
Daquilo, tenha cuidado e só
Seje cuidadoso ao longo da estrada
E mais, e muito mais que isso
Eu fiz do meu jeito
Houve vezes, Que eu tinha certeza que você sabia
Que não havia porra nemhuma para fazer
Mas até o fim de tudo , Quando havia dúvidas
Eu gritei, ou chutei pra fora
Eu lutei na guerra,e no mundo
E fiz do meu jeito
Chapado na cama ontem à noite
Eu tenho tido meu abastecimento, minha divisão de roubos
E agora as lágrimas diminuem
Eu achei tudo tão divertido
Pensar, eu matei um gato
E eu posso dizer, oh não, não é o seu jeito
Mas não, não, não eu
Eu fiz do meu jeito
Para quem é um moleque, O que ele tem conseguido
Quando ele encontra o que não pode
Dizer as coisas que ele realmente pensa
Mas apenas as palavras, Não o que ele sente
As gravações mostram, Eu não tenho roupas
E eu fiz do meu jeito
(My Way, Sex Pistols)
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